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A poesia é tão antiga como o homem. Em cada ser humano existe um poeta e não há
nada na vida do homem que não escape aos sentimentos mais profundos da alma. O
amor é, agora, o tema.
Pela
transcendência do assunto, « pelo fácil e pelo difícil » que o envolve, se
compreende a seguinte quadra:
Quem
me dera dar-te um beijo,
Um beijo não custa a dar;
São duas bocas unidas,
Quatro lábios a beijar.
Noutros
tempos, o beijo era tão sagrado que logo havia desordem ou compromisso de
casamento, quando observado pelos pais.
Hoje,
está tão banalizado que deixou de ser expressão do que era, perdendo o
significado sagrado que tinha em épocas mais distantes.
A
simplicidade e a imagem a que o povo recorria para transmitir os seus
sentimentos ou exaltar alegrias ou paixões, são de uma beleza encantadora
Quando
os passarinhos choram
Numa árvore tão pequena,
Que fará meu coração
Cheio de tanta pena?
Nas
quadras que se vão seguir pode verificar-se o que diz a filosofia popular a
propósito do amor, da traição, do belo e do feio. Aqui está um retrato excelente
do amor na sabedoria popular: umas vezes, demasiado pessimista; outras, cheio de
lições de moral.
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