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"Temos obrigação de salvar tudo aquilo que ainda é susceptível de ser salvo, para que os nossos netos, embora vivendo num Portugal diferente do nosso, se conservem tão Portugueses como nós e capazes de manter as suas raízes culturais mergulhadas na herança social que o passado nos legou."  (Jorge Dias)
 
 
 
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»» Usos e Costumes »» “Encomendação das Almas” > Algoso - Bragança Pub
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“Encomendação das Almas”
 
   

A “Encomendação das Almas”, uma celebração associada ao culto dos mortos, e que em tempos se fazia na maioria das aldeias transmontanas, continua a ter expressão, todas as Sextas-feiras da Quaresma, a partir da meia-noite, em Algoso, uma aldeia histórica do concelho de Vimioso.

Um pequeno grupo de pessoas da aldeia teima em fazer sobreviver um ritual cuja origem, como a maioria das tradições, se perde no tempo e corre, como tantas, o risco de se perder.

Esta encomendação, que decorre obrigatoriamente a partir da meia-noite, junta lado a lado um pequeno grupo de homens e mulheres, que percorrem, noite dentro, todos os bairros da aldeia para lembrarem àqueles que “já dormem o primeiro sono” que é preciso rezar pelos mortos, que solicitam o auxílio dos vivos para a sua entrada no Paraíso.

Colocados em lugares estratégicos e agrupados num pequeno círculo, entoam um punhado de versos que, a distintas vozes e em ritmo afinado, a que se misturam um tom dolente e sinistro, dão vida às sonoridades de uma melodia que aprenderam dos avós.

“Acorda ó pecador / acorda não durmas mais / olha que se estão queixando / as almas dos vossos pais.” Dizem alguns dos versos das três estrofes de uma canção, que é também um alerta, ensaiada vezes sem conta algumas horas antes da saída, para ajudar a distrair do sono.

Feito com algum secretismo, o cerimonial acontece tardio. “Só vamos quando já todos estão a dormir, para depois os acordarmos e fazer com que aqueles que nos ouvem rezem pelas almas do Purgatório”, explica Ascensão Vicente.

Antigamente, diz Maria da Natividade, “só eram três pessoas, dois homens e uma mulher, e, como fazia muito frio, os homens iam muito tapadinhos, com aqueles capotes de burel”, e percorriam, mesmo às escuras, as ruas enlameadas da aldeia para poder levar a todos os recantos os versos da tradição. “Quando era nova, lembro-me bem de os ouvir da cama e a gente arrepiava-se com aquilo”, recorda Maria da Natividade.

Fonte

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