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"Temos obrigação de salvar tudo aquilo que ainda é susceptível de ser salvo, para que os nossos netos, embora vivendo num Portugal diferente do nosso, se conservem tão Portugueses como nós e capazes de manter as suas raízes culturais mergulhadas na herança social que o passado nos legou."  (Jorge Dias)
 
 
 
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Danças Tradicionais Populares (2)

Augusto Fernandes Santos
Federação do Folclore Português
1as Jornadas de Folclore a Norte do Rio Douro
Vila Verde - 10/11 de Junho de 1988

(Continuação...)

Das cozinhas ou das dependências da mesma área, transitavam para os terreiros e assim iniciavam a sua arrastada viagem com aceitação e aculturação ali, rejeição acolá, percorriam regiões e até países e muitas vezes, passados largos anos e até séculos, voltavam ao ponto de partida com a sua origem quase irreconhecível, podendo considerar-se uma filha que vinha fazer à sua mãe. Em parte é por esse motivo que se ouve anunciar: vira velho, vira novo, chula nova, chula velha, etc…

No seu regresso ou retorno, as danças traziam sempre as marcas dos tempos e um pouco de alma e da personalidade das gentes por onde tinham passado. É aqui que reside a grande riqueza do Folclore Português e de qualquer outro país, e que só compreende e aceita em toda a sua expressão original quem o sente, cruza e compreende. Mas é impossível amar-se o que se desconhece ou o que não se gosta. Por esse facto não existe conjugação possível entre o servir e o servir-se. Os autênticos homens e mulheres do folclore, servem e nunca se servem.

Os conventos, detentores das maiores expressões culturais durante séculos, irradiam para o exterior das suas expressas paredes, cantares maravilhosos que o povo recebeu e foi transformando sem saber o que fazia, constituindo hoje um valiosíssimo tesouro do nosso património cultural. Usados em actos religiosos, fainas agrícolas nos campos ou nos serões, mantendo sempre o cunho Gregoriano, a musicalidade sofreu inevitáveis alterações nas suas andanças de terra para terra, motivadas pelos mais variados factores:

Falte de educação ou memória auditivas, deficiências de expressão cantadas, ou ainda desconhecimentos rítmicos.

Quando falamos em danças tradicionais populares, associamos o seu uso a um extracto social menos favorecido, o que é discutível e até um tanto polémico.

Há danças tradicionais que se popularizam, sendo utilizadas por diferentes escalões sociais.

Neste contexto, podendo cada uma delas ser tratada especificamente, temos danças religiosas, guerreiras, de sedução, de simples diversão e de trabalho.

As danças são tão antigas como o ser vivo sobre a terra. Não são exclusivas do homem pois quase todos os seres vivos, em determinadas ocasiões e circunstâncias, procuram engalanar-se e exibir os seus países de dança.

DANÇAS FOLCLÓRICAS

Como todos sabem, a palavra folclore significa hábitos, usos e costumes de um povo. Por tal motivo, só podemos considerar como danças folclóricas aquelas que o povo usou e recriou sem o saber, e que lhe haviam sido transmitidas por gerações anteriores, desconhecendo-se os seus autores e que tenham o cunho temático do envolvimento ambiental das aldeias ou regiões onde eram parte integrante dos folguedos das suas gentes.

As suas pesquisas, recolhas e reconstituições têm de ser feitas com muito cuidado para se evitarem inconvenientes desvios traidores da verdade que todos nós queremos apresentar publicamente.

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