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No seu regresso ou retorno, as danças traziam sempre as marcas dos
tempos e um pouco de alma e da personalidade das gentes por onde tinham
passado. É aqui que reside a grande riqueza do Folclore Português e de
qualquer outro país, e que só compreende e aceita em toda a sua
expressão original quem o sente, cruza e compreende. Mas é impossível
amar-se o que se desconhece ou o que não se gosta. Por esse facto não
existe conjugação possível entre o servir e o servir-se. Os autênticos
homens e mulheres do folclore, servem e nunca se servem.
Os conventos, detentores das maiores expressões culturais durante
séculos, irradiam para o exterior das suas expressas paredes, cantares
maravilhosos que o povo recebeu e foi transformando sem saber o que
fazia, constituindo hoje um valiosíssimo tesouro do nosso património
cultural. Usados em actos religiosos, fainas agrícolas nos campos
ou nos serões, mantendo sempre o cunho Gregoriano, a musicalidade sofreu
inevitáveis alterações nas suas andanças de terra para terra, motivadas
pelos mais variados factores:
Falte de educação ou memória auditivas, deficiências de expressão
cantadas, ou ainda desconhecimentos rítmicos.
Quando falamos em danças tradicionais populares, associamos o seu uso a
um extracto social menos favorecido, o que é discutível e até um tanto
polémico.
Há danças tradicionais que se popularizam, sendo utilizadas por
diferentes escalões sociais.
Neste contexto, podendo cada uma delas ser tratada especificamente,
temos danças religiosas, guerreiras, de sedução, de simples diversão e
de trabalho.
As danças são tão antigas como o ser vivo sobre a terra. Não são
exclusivas do homem pois quase todos os seres vivos, em determinadas
ocasiões e circunstâncias, procuram engalanar-se e exibir os seus países
de dança.
DANÇAS FOLCLÓRICAS
Como todos sabem, a palavra folclore significa hábitos, usos e costumes
de um povo. Por tal motivo, só podemos considerar como danças
folclóricas aquelas que o povo usou e recriou sem o saber, e que lhe
haviam sido transmitidas por gerações anteriores, desconhecendo-se os
seus autores e que tenham o cunho temático do envolvimento ambiental das
aldeias ou regiões onde eram parte integrante dos folguedos das suas
gentes.
As suas pesquisas, recolhas e reconstituições têm de ser feitas com
muito cuidado para se evitarem inconvenientes desvios traidores da
verdade que todos nós queremos apresentar publicamente. |