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"Temos obrigação de salvar tudo aquilo que ainda é susceptível de ser salvo, para que os nossos netos, embora vivendo num Portugal diferente do nosso, se conservem tão Portugueses como nós e capazes de manter as suas raízes culturais mergulhadas na herança social que o passado nos legou."  (Jorge Dias)
 
 
 
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Festa da Senhora do Monte (cancioneiro)
Monte - Madeira

Festa, festa mesmo, na Madeira são «As Festas», ciclo natalício que começa com as «missas do parto» e culmina apoteoticamente na «passagem do ano», com o magnífico fogo de artifício sobre a baía do Funchal, concentrando muita gente que se desloca do interior para participar no acontecimento. Depois ainda há, nas comunidades mais tradicionais, o «dia de reis». Mas as festas religiosas evocando patronos dos vários sítios são pedra essencial para a devoção de uns e a organização dos espaços lúdicos de outros. De entre estas celebrações, a mais marcante continua a ser a da Senhora do Monte, em Agosto. A igreja fica no cocuruto do anfiteatro que sai do mar, deixa construir a cidade do Funchal e vai avançando num crescendo até às serranias.

Quase no alto fica a freguesia do Monte, um microclima bem demonstrado na vegetação «exótica». As festas são de arrasar, embora hoje demasiado invadidas pelo «plástico» e por «romeiros» citadinos pouco envolvidos na mística que vale a deslocação para muitos outros. Marcam o colorido barracas de comes e bebes e tendas que vendem chapéus de palha, tradicionais bonecos de massa e rebuçados artesanais. Há que beber água da fonte do largo onde era o terminal do único comboio que já houve na ilha.

É na noite de 14 para 15 de Agosto que a coisa é de arromba. É tal a multidão que quase não se consegue andar pelas alamedas que levam do largo até à enorme escadaria por onde se chega ao templo, de frontispício que se impõe de longe, com as suas duas torres e a brancura do paredão sobressaindo da verdura do arvoredo, e onde a Senhora está exposta em altar magnificamente ornado de flores. Por tradição deve ser o vinho a escorrer pelas gargantas, mas já há muita carraspana «miseravelmente» apanhada com botelhas da boa cerveja madeirense. As espetadas de tenra carne de vaca são também indispensáveis, acompanhadas do «bolo de caco», uma amassadura especial que dá um pão único, de chorar por mais. Como nem tudo neste mundo são venalidades que nos levam inexoravelmente aos pecados capitais – e este tipo de celebrações facilita premissas que não nos conduzem apenas ao da gula…-, há os romeiros que ali vão para, ao arrepio incréu da maioria, pagarem promessas com o recolhimento ou a expressão pública, como cada um prefere. Pungente atitude devota, ela será, ainda, um elemento essencial da Festa da Senhora do Monte, padroeira com fama de não abandonar quem a ela pede intercessão para males e «sem remédios».

Não será justo apegarmo-nos à tradição que manda falar da «festa do Monte» sem realçarmos outras celebrações. Machico inclina-se ao Santíssimo Sacramento no último Domingo de Agosto: a não perder; no mesmo dia, S. Vicente destaca o seu santo padroeiro; Câmara de Lobos e principalmente a Ribeira Brava, comunidades à beira-mar, foram seduzidas por São Pedro (28 e 29 de Junho); na Ponta do Pargo, ainda em Agosto, a festa do sítio do Amparo; no Porto Santo, a sequência que vai de 14 de Agosto ao final de Setembro: festa da Graça, festa de Senhora da Piedade, festa do Santíssimo Sacramento.

Destaque dos destaques: a festa do Senhor Bom Jesus, que se realiza na vila de Ponta Delgada, na costa norte. Reza a lenda que este Senhor crucificado deu à costa, dentro de um caixote, vindo sabe-se lá de onde, corria o ano de 1540, «em que o reino de Inglaterra padeceu a maior perseguição da Heresia, por Henrique VIII». Terá fugido a imagem pia num barco que naufragou? Terá sido pura e simplesmente deitada ao resguardo do mar, num extremo salvamento, em qualquer plaga britânica? A verdade é que se tornou milagreira, escapou a incêndios que destruíram totalmente o templo e persiste, dando alento a crentes.

O arraial é enorme, a ele chegam romeiros para passarem a noite sob as latadas das vinhas que dão o magnífico «americano», ou em folias pouco recatadas em que os despiques com quadras picantes, acompanhadas de instrumentos musicais tradicionais, são uma imprescindível harmonia para suportar o relento. A procissão é grande, rica e muito penitente. Pelas ruas come-se bem, bebe-se melhor, namora-se, compram-se recordações, um Bentinho ou pagela para pôr na aba da chapelona. É da tradição. Que aqui se mantém.

Fonte: In GUIA Expresso “O melhor de Portugal” – 12 – Festas, Feiras, Romarias, Rituais

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