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Actividades Lúdicas Tradicionais
Factores de preservação da identidade cultural das comunidades -
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Tomé Bahia de Sousa

O Jogo do Pião em Pensalves (1)

Na década de 50, na freguesia de Pensalves, o jogo do pião estava institucionalizado no período quaresmal e exclusivamente no período quaresmal.

Todos os anos, após a quarta-feira cinzas, os piões faziam a sua aparição até a Dª. Leonor(2), tradicionalmente avessa a qualquer tipo de jogo, só por motivo, descarado e repetido, de atraso à escola é que confiscava o seu piãozito.

Era um jogo de rapazes, alguns já homens feitos, e pelas singulares características que lhe observamos nesta região, merece que lhe dediquemos uma atenção especial.

Por todo o país se joga o pião, com datas ou sem datas apropriadas, mas a rigidez cíclica do fenómeno, registada em Pensalves, é um dado interessante.

Logo que as cortinas negras e roxas ocultavam por completo o barroco exuberante dos altares e santos da igreja seiscentista, anunciando a Paixão de Cristo, logo apareciam e se multiplicavam os piões. Embora tenhamos notícia de que noutras terras seja interdito este jogo durante a Semana Santa, concretamente, na Sabrosa e no Arquipélago dos Açores(3), não existia essa interdição em Pensalves, excepto na sexta-feira da dita Semana em que não se devia fazer nada pois «nem os pássaros mexem os ninhos».

Descrição do Jogo

Material: um pião e uma baraça para cada jogador.

Participantes: Todos os rapazes ou homens interessados.

Organização: dois círculos concêntricos traçados no solo. O círculo interior, «a molha», tem um palmo de diâmetro e o exterior dois passos bem medidos. Os jogadores dispõem-se à volta do círculo exterior.

Objectivo: tentar «nicar» o pião que «dança» dentro do círculo lançado, à vez, por cada um dos participantes.

Desenvolvimento: um lançamento prévio determina o pião que vai dançar em primeiro lugar. Aquele que não «dançar» na «molha» ou simplesmente não conseguir «dançar» é o primeiro da rodada. Efectuado o lançamento todos tentam acertar-lhe enquanto «dança» e se possível rachá-lo de alto a baixo, escaqueirá-lo completamente, momento em que se atinge o clímax do jogo.

O pião que se «escarapuçar»(4) ou sair «dançando» para fora do círculo maior «aguente uma rodada» espetado no centro da «molha».

Notas:
(1) - Freguesia do concelho de Vila Pouca de Aguiar, distrito de Vila Real, Trás-os-Montes
(2) - Professora em Pensalves desde 1948 a 1965
(3) - Apontamentos de António Cabral e Maria da Graça Guedes
(4) - Quando a »baraça» não fica bem aderente ao bico do pião, não aguenta o esforço inicial do lançamento e solta-se de modo abrupto. Diz-se, então, que o pião se »escarapuçou».


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