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Reza a tradição que :
"... Em tempos muito afastados aconteceu de um frade, enquanto rezava
o ofício no coro, Ter a sua atenção despertada pelo seguinte versículo
da Salmodia: «« Mil anos à vista de Deus são como o dia de ontem que já
passou »». Não entendia o frade o significado, pelo que, no fim orou com
mais fervor a Deus para que lhe fizesse entender. Saindo do coro e ao
passar no claustro do convento, ouviu o canto de um passarinho que o fez
parar. |
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Em breve aquela avezinha se mudou, pelo que o monge a seguiu na
esperança de a poder ouvir por mais um tempo, os seus aprazíveis cantos.
Já um pouco afastado, perdeu de vista a ave que o encantara, facto que
lhe causou muita tristeza e exclamou «Oh passarinho da minha alma, que
tão belo e tão breve foi o teu cantar!».
Em seguida regressou ao convento, porém reparou que a porta já não era
no mesmo sítio. Achou tudo demasiado diferente e, ao bater, até o
guardião do convento lhe parecia extremamente diferente:
- Quem bate e o que deseja, perguntou-lhe o Guardião ?
- Responde o Frade «Um irmão e humilde frade deste convento.
- Como, se cá não falta ninguém - respondeu o guardião
- Falta sim ainda à nadinha saí no encalço de um passarinho, cujo o
canto eu quis ouvir.
Segui-o até à orla da mata e, tão logo se calou, me tornei ao convento.
Como pois não me conheceis?! É verdade também não vos conheço!
Foi o porteiro chamar o D. Abade a quem narrara, intrigado o caso. Este
não se surpreendeu menos e postos a desvendar o mistério, consultando
livros e registos, deles constava o desaparecimento de um frade, mas
sobre o qual já haviam passado 300 anos. Nunca mais dele houvera rastos
ou notícias. Foi então que por mais diligências, concluíram. Ter sido
aquele para quem miraculosamente trezentos anos se passaram num momento.
Assim ele compreendeu que para Deus não há diferença de tempo." |