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»» Lendas >> Lenda do Galgo Preto (Ponte de Lima) Pub
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Lenda do Galgo Preto (1)

Se alguma vez passares ao anoitecer na ponte que dá o nome á encantadora villa do Lima, talvez enxergues uma sombra dando reviravoltas no areal, aproximando-se do rio, parecendo beber com sofreguidão, quedar-se a olhar atonita para a corrente das águas, e depois caminhar vagarosa e cabisbaixa para os lados de Vianna, até desaparecer de todo.

Correndo atrás d’ella, correra tambem, e, quando suppozeres que está perto, has de vel-a dar um salto, e sumir-se nos ares.

A configuração do duende não ta saberei dizer; o povo teima desde longo tempo em chamar-lhe o Galgo preto do areal. Há quem no tenha visto sair detrás da igreja dos Terceiros; donde vem, para onde vai, ninguém o pôde ainda explicar.

É uma alma penada. Não tenhas dúvida, leitor; pois outra coisa pôde ser uma aparição de tantos anos, em fadário assim constante e aborrecido?!

*

«Quando EI-Rei D. Manuel foi a Ponte do Lima levou na comitiva um galante moço, a que muito se affeiçoára, por nome D. Ruy de Mendonça.

Dividiram-se os cavalleiros do sequito, luzido e numeroso, pelas casas dos fidalgos; e coube a D. Leonel de Lima albergar o escudeiro valido.

Era D. Leonel de honrada estirpe e ainda aparentado, segundo diziam, com a família dos viscondes de Villa Nova da Cerveira; mas pobre, e malavindo com os parentes, pois casára à sua vontade (conforme o dizer dos linhagistas) com a filha de um cavalleiro, cujo nome não andava nos livros de EI-Rei, filha que houvera de uns amores em Arzilla com uma sectaria de Mafoma

Assim como nas igrejas não é permitido que se venerem duas imagens da mesma devoção, não quiz também a natureza que o typo ideal da mulher tivesse naquela casa duas representações iguaes; e talvez por isso Magdalena – que assim se chamára a christã filha da moira – finára-se tranquilamente no dia em que sua filha Beatriz de Lima completára dezasseis anos, e podia já substituil-a no labutar quotidiano e creação de dois irmãos de curta idade.

Era uma joia esta Beatriz, mas qu ninguém apetecia. Não só lhe faltavam ocasiões de aparecer, mas, naquelas poucas em que a viam, era o seu trajar tão simples, contrastando por tal forma com a magnificiencia do trajar de suas parentas, que os mancebos dos arredores preferiam, a perscrutar-lhe os encantos, dedicar-se ás frequentadoras triumphantes dos saraus, ou espinotear os seus ginetes em frente ás geloseias das grandes herdeiras. Além d’isso, a sua beleza tinha antes a suavidade do luar que o brilho do sol; não havia os resplendores que atordoam nos seus olhos límpidos e claros, nem no seu porte modesto os meneios que seduzem.

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Fonte: Conde de Bertiandos, O Galgo Preto, in Lendas, 1898

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