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Num dia de grande tempestade, um barco
vindo da Flandres naufragou na costa de Esposende, perto de Barcelos.
Quando as mulheres acorreram à praia para recolher os despojos, Luisinha
encontrou enterrado na areia um pedaço de madeira que tinha um calor
estranho e exalava um exótico perfume.
Chegada a casa lançou o bocado de
madeira ao fogo e algo de extraordinário aconteceu: a casa encheu-se de
uma claridade estranha e no solo de terra batida ficou desenhada uma
cruz luminosa.
Por mais que se escavasse a terra
naquele local onde a cruz luminosa se projectava, a cova voltava a
encher-se de terra. A notícia do milagre correu por toda a cidade e a
casa do sapateiro passou a ser um local de peregrinação. Apenas o
fidalgo, D. Pedro Martins não acreditou e acusou o sapateiro e a filha
de embusteiros e bruxos, afirmando que os dois deveriam ser atirados à
fogueira.
Estas acusações ganharam cada vez mais
adeptos que acompanharam D. Pedro Martins até à porta do sapateiro e,
quando este se preparava para o acusar injustamente invocando o nome de
Deus, a mesma cruz luminosa apareceu. O fidalgo caiu humildemente de
joelhos e pediu perdão a Deus, depois deu ordens para que se começasse a
construir um templo em acção de graças pelo milagre.
Diz a lenda que as marcas das mãos do
sapateiro desapareceram-lhe do rosto naquele mesmo momento. Foi este
milagre que deu origem a uma ermida anterior à actual igreja e também à
famosa romaria da Feira das Cruzes de Barcelos. |