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Lendas >> O Caso da Lagoa - Palaçoulo
(Miranda do Douro) |
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O Caso da Lagoa - Palaçoulo |
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Naquele tempo existia uma lagoa de água
retida e insalubre, ao fundo da Praça da Cruz, onde actualmente está
implantado um edifício público, conhecido como Casa do Povo. Mas apenas
ocupa uma parte, pois a lagoa era mais ampla, em todos os sentidos. Lá
bebiam as vacas, até sem que fosse preciso assobiar-lhes. Via-se e
ouvia-se chuparem aquela água estagnada, com gosto preferencial em
relação a qualquer outra...
Aquela mesma lagoa, no Inverno cobria-se de gelo. Então havia rapazes,
jovens e homens adultos que se divertiam a escorregar naquela espessa
geleira. Por isso, ainda há quem se recorde de um palaçoulense que se
deparou com sérias dificuldades em sair de lá, porque o gelo se partiu. |
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Salvou-se com a ajuda de outros conterrâneos que, da margem, lhe
lançaram os paus e a ponta de uma corda grossa, localmente denominada “lúria”,
utilizada para apertar as carradas grandes, geralmente de lenha ou
molhos de cereais. Assim que o resgataram, já teso com o frio e semi-afogado.
Bom! Depois desta descrição, passamos a contar o que aqueles tais jovens
fizeram, de sua espontânea e livre opção: Com baraços e cordéis
apertados, fizeram com que um feixe dos destroços acabados de recolher
daquela dupla imagem desmantelada. E zumba! Aí vai aquilo tudo para a
lagoa, para que o diabo ou demónio, que ali tinha uma boa parte do seu
focinho, feio de meter medo, se afogasse de uma vez para sempre. Mas que
é que havia de acontecer? O inesperado daquele improvisado feixe teimava
em não se afogar e até parecia que “refunfunhegava” cada vez mais,
provocantemente, com tantas bolhas sonoras de agua que emitia, à medida
em que se introduzia nos muitos buracos feitos pelo caruncho e por umas
“rachicas” que tinha o “caramono”.
Então, os rapazes, para que se afogasse e parasse de refilar, toca de
lha atirarem com calhauzada, pois naquele tempo, pedras era o que mais
havia por ali. Ao mesmo tempo, invectivavam-no com veemência: “inda
refunfunhegas, caramonico de mil demonhos”?! E continuaram a lançar-lhes
pedras e o mais que encontravam, para que aquele embrulho maléfico e
provocante desaparecesse para o mais fundo da lagoa, também
persistentemente empurrado pela talvez ingénua, constante e aparente
diabrite expressa no mesmo “inda refunfunhegas caramonico de mil
demonhos”? Assim foi, até que com o peso das pedras lançadas para cima,
aquele estranho conjunto já estava quase totalmente submerso quando uma
onda de alvoroço começou a correr pelo povo, relativamente à pirraça,
“perrice” ou simplesmente inadvertido divertimento da rapaziada, mas já
não foi possível evitar nem remediar, o que já era façanha consumada.
O próprio Cura, advertido foi até a lagoa, mas já nada conseguiu ver nem
vestígios do malfadado feixe de bocados, nem bolhas a “refunfunhegar”,
nem sequer a rapaziada que tinha totalmente desaparecido, amedrontada,
cada um para seu lado.
O caso foi aproximadamente assim, simples, mas iria ficar na lembrança
de gerações.
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Fonte |
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