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Certo dia, fui à caça,
Lindo canário cacei;
Fui levá-lo de presente
À filha do nosso rei.
À filha do nosso rei,
À princesa brasileira,
Que o pôs numa gaiola
Da mais fininha madeira.
Da mais fininha madeira,
E o canário pôs dentro.
Quer de dia quer de noite,
Era o seu entretimento,
Mas vieram-lhe as sezões:
Mandou chamar uma junta
De trinta cirurgiões.
Dos trinta cirurgiões
Nenhum lhe deu com a cura:
Morreu o pobre canário,
Lá foi para a sepultura.
Lá foi para a sepultura
E ficou lá no deserto.
Diziam as raparigas:
Leva o biquinho aberto.
Foram fazer o jantar
De rouxinóis e pardais.
O diabo da carriça
É que tocou a sinais. |