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A imagem
mais corrente e divulgada do folk-lore musical minhoto e duriense é a da
sua alegria, de algum modo correspondente a uma certa superficialidade.
Pensa-se
só nas festas e romarias, nos
trajos vistosos carregados de ouro da
Senhora da Agonia. Foi esta a ideia que o
turismo divulgou, o estereótipo que criou.
Mas a par
de povo alegre e folgazão, o minhoto e o duriense são também
extremamente trabalhadores e profundamente religiosos e daí que a sua
música esteja igualmente ligada aos amanhos da terra e às práticas
litúrgicas e extra-litúrgicas que o catolicismo implantou nesta região.
Há, pois,
que atender a todas as componentes que constituem a diversidade e a
riqueza da vida musical popular.
Ou seja,
a alegria e a festa são características inquestionáveis do povo de
Entre-Douro-e-Minho. Ao longo da Primavera e sobretudo do Verão
sucedem-se as grandes
romarias e as pequenas festas religiosas, sempre com a marca
inconfundível das rusgas e das
danças populares. E quem
pense que já não é assim, que já se não dança nem canta espontaneamente
nas romarias, vá ao
S. João de Arga, à Senhora da Peneda, ao S. Bento da
Porta Aberta, à Senhora do Alívio, ao Senhor da Pedra, ao S. Cosme, à
Senhora da Saúde (Castelões), ao Senhor da Serra (Castelo de Paiva) e a
tanta, tantas outras romarias minhotas e durienses cujas noitadas
permanecem o grande centro do ludismo destes povos.
Hoje por
hoje, é nessas romarias que se
canta ao desafio,
que se canta e baila a
chula, como a
que captamos na Senhora da Peneda (faixa 13 do disco). É para essas
romarias que afluem as rusgas das mais variadas proveniências, nalguns
casos ainda a pé. A rusga ao Senhor da Pedra (Miramar, Gaia) que
escolhemos para abrir o disco, é uma das mais populares de todas as
rondas ou rusgas desta região.
De entre
as modas coreográficas, destaque-se a abundância de chulas, de que
sobressai a duriense, de uma expressão telúrica muito forte (faixas 5 e
22), não se devendo esquecer as outras músicas bailadas características
do Entre-Douro-e-Minho: a Tirana, o
Malhão, o
Vira, a Cana-Verde. |