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Música Popular Tradicional Portuguesa >
Trás-os-Montes e Alto Douro |
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Cantos
Transmontanos
(Continuação...) |
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Faixinha
verde.
Canção de sabor e corte trovadoresco, usada em Tuizelo como cantiga de
«malhas». A melodia é um simples, mas elegante tetracorde dórico (que,
descendentemente, por vezes, se transforma em jónico), com um ornato
inferior na segunda menor - que, nas cadências inferiores, se converte
em maior. |
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Li-la-ré.
Originariamente decerto uma canção dançada. É utilizada para animar os
compridos verões de Inverno. Curiosa a alternação da melodia
vocal, sincopada (copla formada de quadras soltas, e estribilho em
interjeições) com o adufe (que não desempenha um papel acompanhado, mas
sim solístico), à laia de ritornello instrumental. |
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Valdevinos.
Bela melodia, fortemente vocalizada e de sabor um tanto exótico no seu
cromatismo, distribuída por duas vozes. Filia-se no famoso romance de
assunto carolíngio, também conhecido por D.Beltrão, que Garret
considerava «mais bonito» na versão portuguesa do que na versão
espanhola, intitulada De la batalla de Roncesvalles. |
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Malva,
malveta.
Belissímo espécime de primitivo canto tetracordal, iniciado pela voz
masculina, com a resposta à 5ª superior pela voz feminina. É uma cantiga
de «malhas» ainda usada em Tuizelo.
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A
mal-casada.
Cantiga de «malhas» (romance). |
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O
Perdigão.
Cantiga de «malhas». Compõe-se de coplas e estribilho cantadas (com
ligeiras variantes) com a mesma solfa: uma simples, masintensa e
luminosa melodia hexacordal do modo maior. |
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Galandum.
Canção dançada da região mirandesa, de sabor profundamente arcaico. É
acompanhada de tamboril, gaita de foles, flauta pastoril («fraita», em
mirandês), pandeiro, pandeiretas, castanholas, conchas («carracas»),
ferrinhos e assobio dento-labial. |
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Vinte e
cinco.
Um dos «llaços» ou figuras da *Dança dos Paulitos. Começa por uma
espécie de apelo do bombo, destinado a congregar os bailadores, os
pauliteiros (em número de dezasseis), seguido da dança, executada
instrumentalmente por gaita de foles, tamboril, bombo e castanholas, a
que vem juntar-se o som seco da percurssão dos próprios paulitos,
atributo dos bailadores, numa curiosa e excitante polirritmia. Muito
espalhada nos concelhos de Miranda, Vimioso, Mogadouro.
*Dança dos
Paulitos (em que uns querem ver uma dança pírrica, outros uma dança
ligada aos ritos da fecundidade) é, fora de dúvida, uma das
preciosidades folclóricas de Trás-os-Montes, embora com correspondência
noutros povos. |
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Mineta.
Versão transmontana de muito espalhado romance O Cego, também
conhecido sob a designação de O rei e a pastora, Aninhas. Canção
usada no trabalho de fiar o linho. |
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Encomendação das almas.
Sobrevivência do antigo culto dos mortos, associada aos símbolos do
Cristianismo, as «encomendações das almas» eram práticas religiosas
muito correntes em várias províncias de Portugal. Actualmente estão em
vias de desaparecer. Destinavam-se, por meio de uma oração cantada, a
aliviar das suas penas as almas dos pecadores condenados ao Purgatório.
Cantavam-se pela Quaresma, à meia noite, por grupos de habitantes da
povoação, que percorriam as ruas e paravam nas encruzilhadas onde havia
edículas de «alminhas», ou subiam aos pontos altos e daí, em voz
lúgubre, faziam suas súplicas e «encomendações».
A súplica era feita não em coro mas, sim, por um homem ou por uma
mulher.
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Carvalhesa.
Uma das
três danças típicas do termo de Vinhais, composta de quatro figuras e
acompanhada por gaita de foles e ferrinhos. |
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Ró-ró.
Canção do berço, de ritmo verdadeiramente embalador. Letra em dialecto
mirandês. |
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Redondo.
Dança pastoril, executada alternadamente em «fraita» e gaita de foles. |
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Dá-la-don.
Graciosa e ingénua cantilena de «abaular», isto é, género de diálogo
cantado entre os pastorinhos que comunicam entre si de um monte para o
outro.
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Guia de Portugal, organizado
por Sant'Anna Dionísio, V volume (Trás-os-Montes e Alto Douro), editado
pela Fundação Calouste Gulbenkian |
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