Escritor
e político português. Estudou direito em Coimbra a partir de 1861,
doutorando-se sete anos depois. Foi regente da cadeira de literaturas
modernas no curso superior de letras, em Lisboa. Fez parte do grupo de
intelectuais que, insurgindo-se contra o ultra-romantismo e o estado da
nação, originaram a Questão Coimbrã.
Republicano, dirigiu o governo
republicano provisório, tendo sido presidente da república, embora por
pouco tempo, em 1915.
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A sua formação marca-se por um positivismo e anti-clericalismo que
determinaram os seus trabalhos teóricos de análise da cultura
portuguesa. Ficou conhecido sobretudo pelos seus estudos literários.
Procurou, à luz dos seus princípios teóricos e filosóficos, analisar
e interpretar, nas suas múltiplas facetas, a história da literatura e
a da cultura portuguesas. As suas obras, embora carecendo por vezes de
rigor e deixando transparecer alguma falta de preparação científica,
precipitando-se em conclusões abusivas e facciosas, permanecem hoje das
mais sugestivas e férteis sobre o tema. Importante ainda o seu
contributo para a análise da poesia popular e das tradições
portuguesas.
Da sua obra imensa, destacam-se Traços Gerais da Filosofia Positivista
(1877), História da Universidade de Coimbra (1892-1902), História do
Teatro Português (1870-1871), Teoria da História Literária Portuguesa
(1872), O Povo Português nos seus Costumes, Crenças e Tradições
(1885) e Modernas Ideias na Literatura Portuguesa (1892). Enquanto
poeta, são seus a Visão dos Tempos (1864), Tempestades Sonoras (1864),
Torrentes (1869) e Miragens Seculares (1884). (1)
Compulsando vastos repositórios documentais, embora nem sempre
cultivando a prudência interpretativa, Teófilo Braga teve, apesar dos
deslizes, o mérito de esboçar a evolução da nossa literatura desde os
alvores dos romances medievais e da produção dos trovadores
galaico-portugueses ao ultra-romantismo e ao realismo da sua época. De
bem cedo datam igualmente os seus interesses pela etnologia, pelo
folclore e pela criatividade popular espontânea. Datam de 1867 os
trabalhos História da Poesia Popular Portuguesa, o Cancioneiro
Popular coligido da tradição e o Romanceiro Geral coligido da
tradição. Um pouco mais tardio, de 1869, é o livro Cantos
Populares do Arquipélago Açoreano; os Contos Tradicionais do Povo
Português são de 1883 e os dois tomos da obra O Povo Português
nos seus costumes, crenças e tradições remontam a 1885.(2)
Fontes:
(1) Enciclopédia Universal Multimédia
da Texto Editora (1997)
(2)
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