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"Temos obrigação de salvar tudo aquilo que ainda é susceptível de ser salvo, para que os nossos netos, embora vivendo num Portugal diferente do nosso, se conservem tão Portugueses como nós e capazes de manter as suas raízes culturais mergulhadas na herança social que o passado nos legou."  (Jorge Dias)
 
 
 
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  [1] Francisco da Gama Caeiro, António. Dicionários de História da Igreja em Portugal. Dir. A. A. Banha de Andrade. Vol I. Lisboa: Resistência, 1980, p. 340-354; Idem, Santo António de Lisboa. 2 Vol. Lisboa [s.n.] 1967; Fernando Félix Lopes, Santo António de Lisboa, Doutor Evangélico. Braga: Ed. Boletim Mensal, 21954; Henrique Pinto Rema, Santo António de Lisboa, Primeiro Santo Missionário Português. In Encontro de Culturas. Oito séculos de Missionação Portuguesa. Lisboa: Conferência Episcopal Portuguesa 1994, p 69-79; ver também a extensa introdução, assinada por Henrique Pinto Rema, em Santo António de Lisboa, obras completas. Trad. de Henrique Pinto Rema. Lisboa, 1970.

[2] Até aos anos oitenta era pacífico dizer-se que Santo António nasceu em 1195, no entanto, segundo estudos médico-antropológicos, realizados em Pádua no mês de Janeiro de 1981, conseguiu-se determinar com grande segurança que o Santo morreu por volta dos 40 anos, o que veio colocar o seu nascimento em 1191 ou 1192. Cf. Henrique Pinto Rema, Santo António de Lisboa, Doutor Evangélico, Obras Completas, Sermões Dominicais e festivos, Edição Bilingue, Porto 1987, p. XVI (tratando-se da introdução à obra, o número das páginas é indicado em numeração romana).


[3] Os restos mortais de frei Bernardo, frei Pedro, frei Acúrcio, frei Otão e frei Adjunto foram recolhidos pelo Príncipe D. Pedro, irmão do rei de Portugal D. Afonso II, e entregues a D. João Roberto, Cónego do Mosteiro de Santa Cruz, para serem depositados na sua Igreja. O sonho da missão entre os infiéis, porém, poderá ter nascido na sua alma anos antes. Certamente teve conhecimento da vitória luso-espanhola sobre as forças sarracenas em Navas de Tolosa, no ano de 1212; as iniciativas missionárias contra os muçulmanos tomadas pelo Quarto Concílio de Latrão em 1215; a permanência no porto de Lisboa de vários cavaleiros cruzados, vindos do Norte da Europa. Estas iniciativas davam origem a uma mentalidade colectiva que favorecia o espírito de cruzada, num ambiente de cristandade, o que nos permite compreender as razões de António.

[4] Atendendo a que já era Sacerdote Crúzio, é provável que nem sequer tenha feito o Noviciado. Lembremos, além disso, que Fernando Martins de Bulhões foi admitido à Ordem Franciscana numa época em que o Noviciado não era ainda obrigatório. Efectivamente, este só foi imposto aos Frades Menores pelo Papa Honório III, mediante a Bula de 22 de Setembro de 1220, nesta data já teria professado a forma de vida simples e minorítica, portanto, anterior à Regra de 1221.

[5] Lemos na carta que São Francisco lhe escreveu: «Ao Irmão António, meu Bispo, o irmão Francisco envia saudações. Tenho gosto em que ensines aos irmãos a Sagrada Teologia, desde que, com o estudo, não se extinga neles o espírito da santa oração e devoção como está escrito na Regra»: FRANCISCO de Assis, Carta a santo António, in S. Francisco de Assis, Escritos - Biografias - Documentos, Fontes Franciscanas, Braga 1992, 101.

[6] Vita beati Antonii de ordine Fratrum Minorum.

[7] Cf. Henrique Pinto Rema, Santo António de Lisboa. Ex-votos. Lisboa: Quetzal Editores 2003, p 25-29. Segundo os especialistas que, em janeiro de 1981, lhe analisaram os restos mortais, guardados em Pádua, revelam-nos um homem de estatura elevada, de cerca de um metro e setenta, com olhos expressivos e dedos afilados

[8] Cf. Primeira Legenda e bula da canonização.

[9] Assídua.

[10] Santo António consta no «Guiness Book» como o santo que foi canonizado mais cedo depois da morte, mas nem tudo o que esse livro contém é verídico, pois o dominicano São Pedro de Verona, martirizado a 6 de Abril de 1252, subiu aos altares a 9 de Março do ano seguinte.

[11] Capítulo XXXV.

[12] Cf. Paolo Giuriati, Elementi per una indagine sulla devozione popolare a S. Antonio in Europa. In Il Santo, XVI (1976) 346-347; cf. Henrique Pinto Rema, Santo António de Lisboa. Ex-votos. Lisboa: Quetzal Editores 2003, p 33-34.

[13] Fernando Félix Lopes. Muitos são os relatos de milagres realizados pelo Santo na sua cidade natal, alguns dos quais ainda em vida, gozando do dom da bilocação, outros depois da morte. [Introduzir Relato de Milagres: Florinhas ou Ex-votos, p. 41] Ainda hoje, os devotos acreditam que no dia 13, depois da procissão, o Santo fará sempre um milagre e permanecem ali, de pé, concentrados à porta da sua Casa-Igreja, invocando-o com fé, a fim de serem beneficiados com alguma graça.

[14] Se tivermos em conta a região centro e Sul do país, dependentes do Mosteiro de Alcobaça, verificamos que na Idade Média o nome mais utilizado é João, seguido de Fernão ou Fernando e Afonso. A análise dos índices de algumas chancelarias medievais, que abrangem indivíduos de todas as zonas do reino confirmam a fraca incidência do nome António. Cf. Paulo Drumond Braga; Isabel M. R. Mendes Drumond Braga, Santo António na Terra, Santo António do Mar. Breve estudo das invocações antonianas. In Actas do Congresso Internacional «Pensamento e Testemunho». 8º Centenário do nascimento de Santo António. II Vol. Braga: Universidade Católica Portuguesa - Família Franciscana Portuguesa, 1996, p. 1044.

[15] Cf. Henrique Pinto Rema, Santo António de Lisboa. Ex-votos. Lisboa: Quetzal Editores 2003, p 34. O culto das Terças-Feiras Antonianas foi institucionalizado em 1616. Conta-se que um casal nobre de Bolonha, após 22 anos de casamento, conseguiu obter um filho por intercessão de Santo António. Um dia, Santo António terá visitado a senhora e sugeriu-lhe que visitasse, durante nove Terças-Feiras consecutivas, a sua imagem na igreja de São Francisco. No fim da novena, a senhora tornou-se mãe. O milagre divulgou-se e as novenas transformaram-se em trezenas de Terças-Feiras e, finalmente, em todas as Terças-Feiras do ano. Por razões de comodidade, nalguns lugares passaram este exercício de piedade para os domingos. Esta devoção pode incorporar vários elementos, consoante os lugares, podendo incluir a celebração da Eucaristia, um tempo de Adoração ao Santíssimo, a recitação do Terço Antoniano, a reza do responso e ladainha própria do Santo, o beijo da relíquia e a bênção com a mesma, etc. Desde 1763, a Igreja concede indulgências para todo o acto devocional das Terças-Feiras, durante uma adoração ao Santíssimo Sacramento.

[16] O Pão de Santo António teve origem em Pádua, ainda no tempo da construção da Basílica. Conta-se que um menino, de 20 meses, caiu a um poço e afogou-se. A mãe aflita promete dar uma porção de trigo igual ao peso do menino aos pobres no caso de o Santo o ressuscitar. A senhora foi ouvida e cumpriu a promessa. Sendo nisso imitada por outras mães que desejavam alcançar do Santo a protecção dos seus filhos. No século XIV, em França, conhecem-se fórmulas litúrgicas de bênção de trigo, para oferecer em quantidade igual ao peso das crianças que se pretendiam pôr sob a protecção de Santo António.

[17] Relativamente às coisas perdidas, existem várias explicações, entre as quais se enquadram os dois casos relatados no «Livro dos Milagres»: o cálice de vidro partido e refeito pelo Santo e o Saltério roubado e restituído ao Santo pelo ladrão: «Certa noite, um noviço fugiu do convento levando consigo o Saltério que António usava para suas orações e cursos. O estranho é que o diabo em pessoa tolheu-lhe o passo em plena noite, e o obrigou a voltar para devolver o objecto roubado ao proprietário»

[18] Mário Gonçalves Viana.

[19] Referimo-nos a Portugal e territórios de expressão portuguesa, ou onde Portugal teve alguma influência, como por exemplo no Oriente: cf. Henrique Pinto Rema, Santo António de Lisboa. Ex-votos. Lisboa: Quetzal Editores 2003, p 38.

[20] Conta-se que uma donzela não dispunha do dote para casar-se e, confiante, recorreu a Santo António. Das mãos da imagem do Santo teria caído então um papel com um recado a um prestamista da cidade, pedindo-lhe que entregasse à moça as moedas de prata correspondentes ao peso do papel. O prestamista obedeceu e pôs o papel num dos pratos da balança, colocando no outro as moedas. Os pratos só se equilibraram quando havia moedas suficientes para pagar o dote.

[21] Cf. Henrique Pinto Rema, Santo António de Lisboa. Ex-votos. Lisboa: Quetzal Editores 2003, p 31; cf. Manuel Silva, Tradição perdura em Timor. Coronel Santo António visita «os seus». In Mensageiro de Santo António. XIX (2003) 26-27.

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