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"Temos obrigação de salvar tudo aquilo que ainda é susceptível de ser salvo, para que os nossos netos, embora vivendo num Portugal diferente do nosso, se conservem tão Portugueses como nós e capazes de manter as suas raízes culturais mergulhadas na herança social que o passado nos legou."  (Jorge Dias)
 
 
 
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Outras peculiaridades da devoção antoniana

Em Portugal, como em todo o mundo, considera-se Santo António extraordinário advogado das coisas perdidas. A devoção enraíza-se no poeta músico Frei Juliano de Espira, que cerca de 1235, compôs o ofício litúrgico de Santo António e nele deixa ler o célebre responsório: Si quaeris miracula (Se milagres quereis)[17].

Desde há um século a esta parte, Santo António tornou-se um especial advogado de bons casamentos. Como santo casamenteiro, «não admira, pois, que a principal clientela de devotos de Santo António se recrute entre o elemento feminino: raparigas solteiras à espera de noivo, mulheres solteironas desesperadas para o encontrar, ou viúvas não querendo ficar esquecidas, e até as casadas [...], na esperança de fazerem voltar um marido infiel, ou afastar uma concorrente indesejável»[18]. A deduzir de afirmações de vários estudiosos, esta faceta antoniana é exclusiva do mundo lusitano[19]. Antigamente, quando uma moça queria encontrar um noivo, colocava o seu pedido num papel debaixo da imagem, que tinha no altar lá em casa. Se o Santo demorasse muito, ou se o noivo não lhe agradasse, virava o Santo para a parede, até que o noivo fosse o desejado[20].

Uma das características singulares da figura de Santo António em Portugal, que se estendeu a alguns países de língua e influência portuguesa, é a sua carreira militar. Durante as guerras da restauração da independência, Santo António foi várias vezes invocado para se obter a vitória face aos exércitos espanhóis. Em 1688, assentou praça no 2º Regimento de Infantaria, em Lagos, por alvará de D. Pedro II. Em 1683, foi promovido a Capitão, em atenção aos seus bons serviços militares, sendo-lhe atribuído um salário de dez mil reis. Em 1814, no contexto das invasões francesas, D. João VI promoveu-o a Tenente-Coronel de Infantaria. Nesta época, a carreira militar de Santo António estendeu-se de Portugal ao Brasil, a Angola, a Moçambique, à Índia, a Macau e a Timor Leste. Ainda hoje, nestes países, Santo António é conhecido como militar de carreira[21].

Existem, em Portugal, várias Associações Antonianas e irmandades, com fins sócio-caritativos, promovendo a assistência aos pobres e orfanatos. As irmandades de inspiração antoniana são hoje formas vivas e articuladas de devoção. No que diz respeito à sua origem, cada uma delas tem a sua história particular de piedade. Mas, no que diz respeito à finalidade, todas elas convergem em quatro pontos: são sociedades que promovem a mútua ajuda entre os seus membros; o socorro dos pobres; a promoção espiritual e moral dos associados, através de práticas religiosas e do testemunho pelo exemplo e boas obras e a difusão do culto a Santo António.

Em síntese, a situação da devoção antoniana em Portugal continua viva e profundamente enraizada no coração dos devotos, embora tenhamos de admitir que Santo António é mais propriedade do povo e não tanto dos Franciscanos ou da Igreja. Mesmo aqueles que se dizem cristãos não praticantes, conservam em suas casas ou nos seus estabelecimentos comerciais uma imagem do Santo, reclamando dele a protecção sobre as famílias, as casas e os negócios. Onde se criou a tradição de celebrar Santo António, o dia 13 de Junho, nunca é esquecido pelo povo. Mesmo que o Pároco não celebre com grande solenidade esse dia, os devotos ou simpatizantes fazem-lhe a festa com grande alegria. De casos destes, poderia citar alguns exemplos.

A peregrinação é uma constante durante todo o ano, e assume grandes proporções nos locais ligados à vida do Santo: a Casa-Igreja de Santo António, em Lisboa; o Convento de Santo António dos Olivais, onde se fez Franciscano; e o Mosteiro de Santa Cruz, em Coimbra, onde foi Cónego Regrante de Santo Agostinho.

Frei Acácio José Afonso Sanches

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