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Origem da devoção antoniana
A
paixão popular pela figura de Santo António não é algo que tenha
ocorrido somente depois da sua morte, ao contrário, António alcançou
verdadeira fama de santidade ainda durante a sua vida terrena.
Na
cidade de Forli havia um convento de estudos da Ordem de São Domingos.
Em Setembro de 1222, os Dominicanos convidaram os Franciscanos para
participarem na cerimónia das Ordenações sacerdotais naquele convento.
Na hora própria, o superior dos Dominicanos dirige-se aos Franciscanos,
a fim de que um deles fizesse a pregação. O Superior do eremitério de
Montepaolo pede ao irmão António que suba ao púlpito e diga «tudo o que
lhe seja sugerido pelo Espírito Santo». As primeiras palavras foram
simples, mas, em seguida, tornam-se firmes, seguras e convincentes, a
ponto de impressionarem todos os presentes. A notícia deste facto
percorreu toda a região e, em pouco tempo, António foi nomeado pregador
oficial da Ordem.
Na
época de António, desenvolveram-se alguns movimentos heréticos, entre os
quais estavam os Cátaros, isto é, puros, e os Albigenses, que renovavam
as antigas correntes gnósticas e maniqueístas. Com a sua pregação,
António irá defrontá-los, procurando contrapor-se às suas doutrinas. O
conhecimento profundo das Escrituras dava às suas palavras uma
autoridade invulgar, lançando no coração de ouvintes raízes tão fundas,
que a todos arrebatava e reconduzia à verdade. Tanto pregou no Norte da
Itália, como no sul da França, onde se destacam Montpellier, Le Puy,
Arles, Toulouse, Limoges, Bourges, entre outras cidades.
O
seu ofício de pregador valeu-lhe o título de «Arca do Testamento», mas
António foi também director de estudos e professor de teologia. Segundo
algumas fontes, o próprio São Francisco o teria incumbido dessas
funções[5]. Em Bolonha fundou e dirigiu a primeira escola da Ordem
Franciscana.
As
suas biografias mais seguras, ocultam-nos pormenores acerca deste
período da vida do pregador António. Só no fim do século XIII, D. Jean
Rigaud, bispo da Bretanha, procurou ordenar os factos lendários
preenchendo as lacunas da vida do Santo. Desta forma, a fama de
Taumaturgo provém sobretudo dos escritos deste bispo, que ficaram
conhecidos com o nome de «Rigaldina»[6].
Em
1226, foi nomeado Custódio dos Frades Menores da região de Limoges e, em
1227, é nomeado Superior Maior da província da Romagna, que abrangia
todo o norte da Itália. António exerce esse cargo até Maio de 1230 e
segue para Pádua, pregando sucessivamente nas 55 igrejas da região. Em
fins de 1231, com a saúde muito abalada, António retira-se para o
castelo de Camposampiero, próximo de Pádua. Ali, escreve e revê os seus
Sermões, dedicando longas horas à meditação espiritual.
Um
dia, estando em Camposampiero, sente-se mal à mesa e pede a um dos
irmãos que o leve imediatamente para Pádua. No caminho, sentido-se
desfalecer, teve de ficar no mosteiro das clarissas, em Arcella. António
só tem tempo para se confessar e receber a unção. Morreu dizendo: «Vejo
o meu Senhor». Era o dia 13 de Junho de 1231.
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