A
paixão popular por Santo António
Depois de ter dado a conhecer os seus dotes oratórios em Forli, António
dedicou o resto da sua vida, quase sempre, à pregação popular, atraindo
sobre si, a atenção de todo o povo. Três elementos explicam o seu
sucesso: em primeiro lugar, o fascínio da sua santidade e autoridade
moral; em segundo lugar, a extensão e profundidade da sua cultura,
acompanhada por um invulgar poder de comunicação, segundo as regras da
Retórica do seu tempo; e, em terceiro lugar, a sua magnífica figura
física[7].
O
testemunho da «Primeira Legenda» reforça a fama do pregador ímpar,
dizendo que:
«Homens de todas as condições, classes e idades alegravam-se de ter
recebido dele ensinos apropriados à sua vida».
A
propósito da última Quaresma pregada em Pádua, informa-nos que:
«Vinham multidões quase inumeráveis de ambos os sexos das cidades,
castelos e aldeias de à volta de Pádua, todos sequiosos de ouvir com a
maior devoção a palavra de vida». Mais adiante: «Estavam presentes
velhos, acorriam jovens, homens e mulheres, de todas as idades e
condições, vestidos como se fossem religiosos, o próprio Bispo de Pádua
[Tiago de Corrado] e o seu clero».
Segundo a mesma «Legenda Prima», chegavam a reunir-se, para escutar o
Santo, «perto de trinta mil homens», todos no mais respeitoso silêncio,
de «ânimo suspenso e de orelha virada para aquele que falava». «Os
negociantes fechavam o comércio e só o reabriam depois de terminada a
pregação».
O
resultado de tal pregação na última Quaresma da sua vida terrena vem
assim descrito no capítulo 13 da legenda «Assidua»:
«Tentava reconduzir à paz fraterna aqueles em que reinava o ódio»
«lutava pela restituição de usuras e de bens obtidos por violência»
«afastava as prostitutas do seu infamante modo de vida»
«convencia os ladrões famosos pelos seus malefícios a não tocarem no
alheio».
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