A
devoção espalha-se por todo o mundo
O
fascínio exercido por António durante a sua vida terrena como pregador
itinerante, sábio e santo espalhou-se após a sua morte e canonização,
sobretudo na Itália do Norte e na França do Sul. No entanto, este
fenómeno levou dois séculos a atingir o resto da cristandade. Além dos
paduanos, Santo António começou por ser venerado, pela Europa, nos
conventos, eremitérios e igrejas onde os Frades Menores estavam
estabelecidos. A Portugal a fama da sua santidade só chegou depois da
sua canonização. Mas conta-se nas «Florinhas de Santo António»[11] que
no mesmo dia em que o Papa Gregório IX canonizava Santo António em
Itália, em Lisboa os sinos de toda a cidade tocaram, sem que ninguém os
estivesse a tanger. Pouco tempo depois, a notícia chegou à capital
portuguesa e a cidade dedicou a Santo António o Altar-mor da Catedral e
começou a celebrar-se todos os anos com grande solenidade o dia 13 de
Junho.
Assim, durante os séculos XIII e XIV, Santo António é venerado em
Lisboa, sua cidade natal e nalguns mosteiros portugueses dos Cónegos
Regrantes de Santo Agostinho, com os quais estudou e viveu, professando
a mesma forma de vida, antes de se fazer Franciscano. É venerado também
na diocese de Pádua e nas igrejas franciscanas, um pouco por todo o
lado.
No
século XV, o movimento dos espirituais, que se emancipava dentro da
Ordem dos Frades Menores, levou Santo António para outros lugares da
Europa, onde ainda não era conhecido, o que contribuiu decisivamente
para aumentar o culto e veneração a este Santo. Nos séculos XVI, XVII e
XVIII, as viagens marítimas dos navegadores portugueses, espanhóis e
italianos levaram a sua fama às terras de África, América e Ásia.
Normalmente as expedições marítimas contavam com a presença de alguns
missionários, que, quando eram Franciscanos, se encarregaram de
implantar a devoção antoniana nas terras onde desembarcavam.
O
aparecimento da imprensa não só veio contribuir para a divulgação em
larga escala da sua vida. As pinturas e esculturas dos artistas mais
célebres foram reproduzidas em gravuras e, multiplicadas aos milhares,
eram distribuídas nos santuários antonianos mais importantes, para
responderem ao desejo dos devotos.
Por
ocasião das comemorações do sétimo centenário, na última década do
século XIX, Santo António atinge o máximo da sua popularidade. Nesta
ocasião, para além das outras manifestações de piedade começou a
sublinhar-se o aspecto social do Santo. A bênção do pão de Santo António
e a sua distribuição aos pobres generaliza-se por todos os países, o que
faz com que quase todas as representações do Santo feitas no século XX o
apresentem com um Alforge de pão para distribuir aos pobres, embora
conservem outros símbolos tradicionais.
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