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(Continuação...)
"A religiosidade popular pode-se definir, em sumo, como uma sub-cultura,
um povo que está muito condicionado pela tradição".
Em termos ideológicos, o Pe. Augusto Silva explica que na religiosidade
popular "existe uma visão de Deus um tanto deturpada, vendo-se Deus como
o poderoso e o justiceiro e não tanto o Deus da bondade e da
misericórdia, ou seja, as pessoas tende a associar a Deus aquilo que
vêem entre os homens", aponta. |
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"Os conteúdos são mais restritos, menos ricos e menos sofisticados,
valorizando-se aspectos que não são essenciais como o culto dos mortos e
dos santos, porque se referem a pessoas que viveram neste mundo, que
tiveram as dificuldades que todos temos"
No que respeita ao culto, na religiosidade popular, "o contacto com o
sobrenatural exige uma expressão que se verifica não apenas no
quotidiano, nas idas à missa, mas também nas procissões, nas promessas,
nas penitências, nas peregrinações, nas expressões ruidosas", sublinha o
Pe. Augusto Silva.
"Na religiosidade popular também se verifica a sacralização de tempos e
de lugares, como vemos nos santuários que são cada vez mais valorizados,
com o crescente número de peregrinações. O fenómeno das promessas, em
que há uma espécie de pacto com o sobrenatural, também são expressões de
culto na religiosidade popular", explica.
"O tempo de Verão é propício para a religiosidade popular, onde se
expressa o santo da terra, porque é a ocasião em que a comunidade se
pode reunir, pelas férias, pela vinda dos emigrantes. Em suma, a
religiosidade popular é também um factor de integração comunitária, em
que não há diferenças de classes", aponta o sacerdote jesuíta.
"As festas são ocasião de integração porque têm que ser preparadas, têm
que existir comissões, trabalho em comum. E também se verifica até a
integração dos jovens, porque há trabalho para fazer e todos são
necessários", sublinha.
"Os foguetes, as quermesses, entre outros, são símbolos de uma pertença
àquela comunidade, que tem um determinado patrono", explica,
justificando o factor de integração que as festas religiosas populares
assumem.
Normalmente os cartazes das festas religiosas populares revelam um misto
entre o sagrado e o profano. Para o Pe. Augusto Silva essa mistura "é
uma forma de atracção e de sedução de pessoas de fora." "Verificamos que
muitas vezes certas manifestações, como procissões ou determinadas
celebrações atraem muita gente, mas outras nem tanto. Por isso, com um
cartaz que anuncia outras actividades, podem chamar pessoas àquela terra
que acabam por assistir às celebrações religiosas também", explica.
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