|
(Continuação...)
O dia de Todos os Santos é, por isso, um dia de festa que não deve ser
ofuscada pela celebração do dia que se lhe segue.
A comemoração de todos os
Fiéis Defuntos nasceu, no entanto, em ligação
com a celebração do dia anterior, e muito naturalmente, pois que também
nela se celebra a vida para além da morte, na esperança da ressurreição
do último dia. O dia chama-se Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos,
depois de Todos os Santos, todos os que partiram deste mundo, marcados
com o sinal da fé e esperam ainda a purificação total para poderem
chegar à visão de Deus.
|
|
O nome tradicional para falar dos que partiram é Defuntos - palavra que
significa os que deixaram a sua "função" , a sua actividade terrena e
que não devem ser chamados "Finados", palavra de sabor pagão, que
significaria os que chegaram ao fim de tudo quanto é vida, onde não
haveria lugar para "a vida do mundo que há-de vir", como professamos no
Credo.
Foi o Abade de Cluny, S. Odilão, quem no ano 998 determinou que em todos
os mosteiros da sua Ordem - e eram muitos e influentes - se fizesse a
comemoração de todos os defuntos «desde o princípio até ao fim do mundo»
no dia a seguir ao da solenidade de todos os Santos. Este costume
depressa se generalizou. Roma oficializou-o no século XIV e no século XV
foi concedido aos dominicanos de Valência (Espanha) o privilégio de
celebrar 3 missas em 2 de Novembro, prática que se difundiu nos domínios
espanhóis e portugueses e ainda na Polónia. Durante a primeira Grande
Guerra, o Papa Bento XV generalizou esse uso a toda a Igreja (1915). O
Calendário de 1969 equipara a Comemoração às Solenidades, dando-lhe
precedência sobre os domingos.
Também a sucessão dos dois dias litúrgicos insinua esta íntima ligação
dos dois cultos: a Igreja pretende abraçar todos os cristãos que já
concluíram a sua peregrinação terrena, a começar por aqueles nos quais
já se cumpriu integralmente o mistério pascal com o triunfo da
ressurreição de Jesus Cristo.
|