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O culto a
Santo António, estimulado pela fama de inúmeros milagres, tem
sido ao longo dos séculos objecto de grande devoção popular por todo o
mundo. É um dos santos de maior devoção de todos os povos e, sem dúvida,
o primeiro português com projecção universal. De Lisboa ou de Pádua, é
para o mundo católico o santo "milagreiro", "casamenteiro", do
"responso" e do Menino Jesus.
As festas populares de S. António, S. João e S. Pedro, estão, pois,
enquadradas por um vasto mundo de referências que as relacionam com
significados que, pouco tendo de cristão, são certamente tradicionais. |
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As
festas populares, manifestações colectivas, as crenças e ritos de
devoção particular são as grandes marcas da religiosidade popular no
nosso país. Nas festividades populares, com ou sem relação com o ritual
oficial e, muitas vezes, com origem em cultos naturalísticos, é possível
encontrar manifestações particulares, por vezes, com carácter mágico.
Quando falamos de religiosidade, de facto, referimo-nos a um conjunto de
práticas simbólicas de raiz popular (no sentido em que se distinguem das
produções religiosas das dos "intelectuais" e das instituições que
regulam o campo religioso) e se referem a significados que transcendem a
própria comunidade mas a identificam enquanto tal. Trata-se, pois, de
fenómenos culturais integrados no quadro de significações que as
comunidades produziram na sua interacção secular (por isso se tornou
corrente falar, também de religiosidades tradicionais).
A atenção
especial aos sinais da natureza como a água, a terra, a luz, o céu
fascinou desde sempre as pessoas. A religiosidade popular, cósmica e
natural, pode servir, no caso da Igreja Católica, para compreender
melhor a utilização de sinais e gestos simbólicos que expressam uma
componente profundamente humana e religiosa. Por isso, tem sido sempre
chamada a atenção para uma verdadeira integração entre a liturgia e a
piedade popular, como aconteceu na liturgia da Igreja dos primeiros
séculos, com algumas celebrações, e na liturgia romana da Idade Média,
com as procissões, ladainhas e outros ritos, assumidos em forma de
culto.
Nacional | Octávio
Carmo
Fonte
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