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Os
lisboetas tinham outrora o curioso costume de irem passear às hortas
que era, como quem diz, retirarem-se da cidade para poderem gozar um
pouco dos prazeres do campo, geralmente aos domingos. Deliciavam-se
então com os piqueniques familiares que organizavam ou simplesmente
almoçar nas velhas “casas de pasto”, assim designadas por
inicialmente apenas darem as forragens aos animais enquanto os donos
negociavam na feira. Em muitas delas, ainda se conservam as argolas que
prendiam os animais. |
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Com o decorrer do tempo e vendo a oportunidade de negócio, os
proprietários das “casas de pasto” passaram também a dar de comer
aos donos dos animais e assim floresceu um negócio que veio a dar origem
aos modernos restaurantes e snack-bares. Outras, porém,
mantiveram parte das suas características iniciais e adquiriram fama
pela clientela que atraíam. Eram os chamados “retiros das hortas”,
muito apreciados da burguesia citadina.
Nos retiros, conviviam fadistas e boémios, nobres e burgueses, os quais
procuravam no meio rústico um ambiente pitoresco que a cidade não lhes
proporcionava. E, desse costume que os lisboetas tinham de ir às hortas,
nasceu para sempre a expressão com que passaram a ser designados,
colando-se ao seu próprio gentílico – os
alfacinhas! |