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A chaminé não era outrora muito usual nas aldeias do
Minho e sobretudo
em Trás-os-Montes. Aqui, o fumo das lareiras escapava por entre a
cobertura de colmo, as lajes de ardósia ou, mais recentemente, por entre
as telhas, ao mesmo tempo que conservava o vigamento de madeira da casa.
À medida que caminhamos mais para sul, a chaminé vai adquirindo uma
maior imponência, sobretudo no Alentejo, muito provavelmente em virtude
do regime de ventos. E passa a constituir também um elemento decorativo,
adquirindo no Algarve o seu maior esplendor e variedade.
Encontramos, porém, nalgumas localidades do centro do país
extraordinárias semelhanças com a chaminé algarvia, muito provavelmente
a atestar a sua influência árabe, como sucede nas aldeias do concelho de
Ferreira do Zêzere situadas já na serra de Alvaiázere cujo topónimo – de
Al Baiaz que significa O Falcão – apenas vem reforçar tal
convicção.
No Torrão, concelho de Alcácer do Sal, a chaminé apresenta uma dimensão
que parece esmagar as pequenas casas. O mesmo sucede em Vila Real, no
concelho de Olivença. No Algarve, ganham em graciosidade, com as suas
formas imaginativas e os seus rendilhados, tornando-as um elemento
emblemático de toda a região.
É usual a chaminés ostentarem a data da construção da casa e outros
aspectos decorativos, como a lua e o signo de Salomão, raízes de uma
religião primitiva e pagã que persiste num sincretismo associado à
religiosidade cristã.
Finalmente, a chaminé possui ainda outra funcionalidade: a complementar
o cata-vento, o fumo que dela se extrai indica a direcção do vento e
constitui uma informação de interesse meteorológica para o agricultor
cuja actividade depende sobretudo dos elementos da natureza e dos seus
estados de humor. |