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Porque tinham o hábito de comerem pão de milho, eram os minhotos
apelidados de “picamilho” enquanto os tomarenses ficaram
conhecidos por “patos-bravos”. Os aveirenses são cagaréus,
os do Porto tripeiros e os alentejanos chaparros.
Quando alguém pergunta a um natural de Arcos de Valdevez qual é a sua
terra, ele invariavelmente responde:
- Sou dos
Arcos, oh!
Aproveitando este jeito peculiar dos arcuenses se exprimirem, os de
Ponte da Barca zombam dos seus vizinhos dizendo que são dos “Arcos ó”!
De forma um pouco maldosa, existe também quem identifique os
bragançanos – de Bragança – como “bragansuínos” e os de
Paredes de Coura como “coirões”…
E, a propósito de Paredes de Coura, o Dr. José Leite de Vasconcelos
deixou considerável informação na sua obra “Etnografia Portuguesa”. E,
como exemplo da rivalidade étnica que podemos encontrar um pouco por
todo o país, citamos precisamente as que aludem aos naturais de Paredes
de Coura cujo gentílico se designa por courenses por, numa versão
mais arcaica, a região ser denominada de Coyra. Disse o
conceituado arqueólogo e etnólogo no volume X da referida obra:
“Às
gentes de Coura chamam papas de Coura, porque faziam lá umas papas de
farinha de milho e leite que se vendiam nas feiras em cestos (balaios) e
se cortavam à navalha, como o manjar branco do Porto. E também a mesma
gente se designa de papeiros.
Em S.
Paio de Jolda, concelho de Arcos de Valdevez, ouve-se:
O meu
amor é de Coira,
É um
grande cidadão;
É da raça
dos mosquitos,
É de
fraca geração.
E também:
- Tu és
de Coira.
- Abaixo
de Coira, bandalho!
E ainda:
Nunca de Braga veio Bom tempo / Nem de Coura bom casamento.”
Paredes de Coura é terra de gente laboriosa e alegre do interior do Alto
Minho. Estas rivalidades étnicas devem ser encaradas de uma forma
positiva e apenas como elemento de estudo etnográfico. Trata-se de
velharias que constituem um testemunho do relacionamento e da
proximidade dos povos, com a mesma rivalidade que é frequente
observar-se entre os próprios irmãos. E, caso exista quem como tal não
entenda, façamos como os bracarenses:
- Mandemo-los para baixo de Braga! |