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O Estado Novo e o Folclore
- Reminiscências do dirigismo estatal

 

Carlos Gomes(*)

O dirigismo cultural é, regra geral, um traço característico de todos os regimes autoritários que procuram, através do seu controlo, veicular uma ideologia e desse modo manipular as consciências. Constituindo o folclore uma das temáticas preferidas do Romantismo e tendo ajudado a construir a ideia de identidade nacional, não admira pois que o mesmo seja também utilizado como veículo de propaganda. Toda a gente se recorda dos inúmeros grupos folclóricos oriundos do leste europeu que, há algumas décadas atrás nos visitaram, sempre devidamente acompanhados por representantes estatais dos respectivos países.

Como é evidente, esta utilização do folclore resulta invariavelmente na adulteração do seu carácter original com a introdução intencional de novos padrões estéticos os quais, com o decorrer do tempo, são assimilados ao ponto de passarem a ser considerados genuínos. Lamentavelmente, o folclore português está repleto de elementos estranhos que deveriam ser expurgados, a maior parte dos quais introduzidos durante o período do Estado Novo.

Para a concretização de tal política de dirigismo cultural, o Estado Novo contou com diversos instrumentos, entre os quais um conjunto de instituições e organismos estatais como o Ministério da Educação Nacional, o Secretariado da Propaganda Nacional, a Mocidade Portuguesa, a Junta Central das Casas do Povo e a Fundação Nacional para a Alegria no Trabalho (FNAT), esta criada à semelhança da Opera Nazionale Dopolavoro italiana e que viria, após o 25 de Abril de 1974, a dar origem ao actual INATEL. Organizava ainda feiras, exposições e concursos dos quais ficou célebre o que premiou o Monsanto como “a aldeia mais portuguesa de Portugal”.

Através das “casas do povo”, patrocinou-se a criação de ranchos folclóricos. Entretanto, mudaram-lhes a coreografia e a indumentária. Organizam “concursos de folclore”. De entre eles, elegeram e apadrinharam uns tantos como sendo alegadamente os mais representativos da sua região. O mesmo foi feito em relação às festas e romarias populares que contribuiu para perderem em grande parte o seu elemento devocional se transformarem em meros cartazes de propaganda turística, destacando umas em relação às demais. E, para melhor realizar essa missão, o Estado Novo teve a colaboração de intelectuais de renome como Armando Leça, Abel Viana e Pedro Homem de Mello, sob a sábia orientação de António Ferro, ministro da Propaganda do anterior regime.

O folclore tornou-se desse modo um objecto de adorno e um instrumento de propaganda susceptível a incorporar as mais incríveis e imaginativas modificações, sobretudo na sua perfomance e nos trajes mas também na música e no próprio cancioneiro. E elas são tantas que nos escusamos de aqui as enumerar.

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(*) Jornalista, Licenciado em História


 

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