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O Estado Novo e
a Musealização do Folclore

 

Carlos Gomes(*)

A política cultural do Estado Novo em relação ao folclore levou à sua própria musealização ou seja, à sua transformação em peça de museu destinada a transmitir as virtualidades de uma sociedade rural e a vivência alegre de um povo que, apesar de economicamente pobre, se revelava espiritualmente rico e, na sua simplicidade, encontrava os maiores motivos de felicidade na sua existência humilde.

A concepção segundo a qual o folclore constitui objecto destinado a ser conservado tal como foi possível encontrar e, por conseguinte, objecto de musealização, resulta da ideia de que as formas de vivência social que o mesmo trata remetem a uma ambiência rural ou piscatória que remonta para uma determinada época na qual ainda não se observam as influências da revolução industrial nos modos de vida das populações e nos processos de trabalho. Entre nós, esse período temporal corresponde geralmente aos finais do século XIX, claramente relacionado com uma época de grande fomento industrial e das vias de comunicação, identificado com a Regeneração implementada sob as orientações do governo de Fontes Pereira de Melo.

Os ranchos folclóricos, muitos dos quais constituídos sob a égide do Estado Novo e com o patrocínio da Junta Central das Casas do Povo, prosseguiram uma orientação que os levou a assumirem a função de mostruário dos usos e costumes das respectivas regiões, teatralizando as tradições populares e, desse modo, exercendo uma finalidade museológica enquanto instrumento de preservação e de divulgação do objecto folclórico. Através de tais agrupamentos, a representação do folclore cingiu-se quase sempre à representação das danças e dos cantares e à exibição dos respectivos trajes. De fora ficou toda uma vivência que abrange todos os domínios do saber, desde a medicina tradicional à gastronomia, da tradição oral à religiosidade popular.

Existindo embora alguns ranchos folclóricos que afirmem representar os costumes vividos em meados do século vinte, a esmagadora maioria situa a sua representação nos finais do século XIX e começos do século XX. A datação do folclore levanta de imediato a questão a saber se o folclore “morreu” ou, por outras palavras, o modo de vida actual no meio rural não é mais objecto de estudo dos etnólogos e, por conseguinte, a sabedoria popular não existe mais. E, assim sendo, desde quando deixou de existir folclore, para além daquele que foi musealizado e é representado através dos ranchos folclóricos. No sentido inverso, considerando que existem métodos de pesquisa para além dos habituais processos de recolha empregues pelos etnólogos com recurso a novas técnicas que apenas a era industrial nos proporcionou como a fotografia e a gravação magnética, questiona-se porque não são feitas reconstituições de períodos temporais anteriores aos que geralmente são representados.

Por outro lado, ranchos folclóricos existem que incluem na sua representação alguns tipos urbanos, por vezes exibindo uma indumentária confeccionada a partir de tecidos de invenção recente com origem industrial. Isto remete-nos para a ideia que alguns defendem relativamente ao traje tradicional, o qual não deve mais ser considerado uma peça de museu mas ser observado no seu aspecto dinâmico, na vivência diária das pessoas que o utilizam, marcado pelas influências de cada época nas formas e padrões, bem assim nos materiais com que são confeccionados. É, aliás, exemplo disso a forma de actualmente vestir da mulher da Nazaré.

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(*) Jornalista, Licenciado em História


 

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