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E muitos grupos não se fizeram rogados,
passando a exibir-se nos hipermercados, percorrendo os longos corredores
de prateleiras apinhados de chouriços, detergentes e outros produtos
recomendáveis para a higiene pessoal, fazendo destes locais um palco
privilegiado para a sua atuação.
A crise económica agravou certamente a
dificuldade com que se debatem alguns grupos folclóricos e, à semelhança
do que noutros tempos faziam os ceguinhos, passaram a atuar nos
supermercados, seguramente a troco de uma refeição ou de um pacote de
esparquete, pois é sabido que os gerentes destes estabelecimentos não
são muito reconhecidos pela sua generosidade.
Não podendo dizer-se que se trata de uma
situação muito dignificante para o folclore, esperemos ao menos que
ninguém se lembre de bordar a publicidade nos trajes e vir depois
garantir que era tal e qual como no tempo dos nossos avós! |