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O Folclore e a sua representação
- Musealização e Estilização
 

 

Carlos Gomes(*)

(Continuação...)

No que respeita à representação do folclore, podem definir-se duas linhas de actuação, a saber:

1. A estilização.
2. A musealização

Embora não inteiramente distintas entre si, convém destrinçar os seus principais aspectos e características. A estilização traduz-se essencialmente na introdução de modificações com vista a corrigir, a aperfeiçoar e apurar do ponto de vista técnico a representação do folclore de modo a torná-lo mais artístico. Esta atitude não pretende preservar o folclore na sua originalidade, conservando-lhe a rudeza e imperfeição que lhe é característica mas antes, torná-lo requintado e sofisticado, mais ao gosto de determinadas elites.

A estilização foi a linha predominante da política do Estado Novo em relação ao folclore. Curiosamente, a mesma que foi também seguida na extinta URSS e demais países do leste europeu, onde aliás se promoveu a sua profissionalização sob o controlo do Estado. E, assim, quais profissionais do folclore, apresentam-se invariavelmente em palco de forma impecável, rigorosamente maquilhadas e exibindo permanentemente um sorriso postiço, sem deixar de presentear a assistência com a sua inegável beleza e simpatia.

Por seu turno, a musealização procura preservar o carácter genuíno do folclore, cuidando que não tenha registado alterações que coloquem em causa a sua autenticidade. Esta linha de actuação não entende o folclore numa perspectiva actual porquanto o remete para uma época recuada no tempo a qual não se vive mais – apenas se pode representar!

Nesta perspectiva, o grupo folclórico constitui uma espécie de museu vivo cujo objecto constitui precisamente conservar e divulgar um património que merece ser preservado como peça museológica, apenas se distinguindo da função do museu pelo seu carácter lúdico e a capacidade de reconstituir para além de exibir. Na realidade, duas funções que se complementam entre si e que ainda não foram suficientemente exploradas.

A intervenção daqueles que se situam nesta linha de orientação incidem frequentemente a sua crítica aos elementos que, em seu entender, constituem deturpações ao próprio folclore. E, fazem-no, não raras as vezes, mencionando aspectos de forma avulsa que, como tal, nem sempre são entendidas da melhor forma pelos responsáveis dos grupos folclóricos ou seja, os seus directores e ensaiadores.

Para além das duas linhas dominantes, existem ainda uma terceira via que entende o folclore e o traje tradicional numa perspectiva evolutiva, que não se detém com as transformações sociais. Na realidade, tal atitude – designemo-la evolutiva – aproxima-se mais da estilização na medida em que aceita a modificação do elemento original por recusar a vê-lo como peça de museu. É, aliás, o que explica a actual evolução do traje típico da Nazaré, depois do Estado Novo ter feito a sua promoção turística e influenciado o folclore local. Mas, perante o facto de o traje ter deixado de ser confeccionado de forma artesanal e, por conseguinte, não constituir mais o espelho do talento e da imaginação do povo, importa saber até que ponto a actual versão do mesmo poderá ser considerado genuíno ou uma mera imitação a servir propósitos comerciais e turísticos.

Em conclusão, cabe aos grupos folclóricos optarem pela preservação dos usos e costumes do povo à época que dizem representar ou, pelo contrário, insistir na produção um género de espectáculo cuja estética seria mais adequada à sua exibição em salas do género do Molin Rouge, onde não faltam decerto os melhores apreciadores dos talentos femininos.

A estilização e profissionalização do folclore reflectem a sua utilização como instrumento de propaganda.

(*) Jornalista, Licenciado em História


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