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(Continuação)
Ninguém com bom senso e sentido da evolução histórica do
traje e dos
comportamentos sociais pode conceber que, nos finais do século XIX, uma
moça pudesse usar saias acima do tornozelo e exibir as suas roupas
interiores. Ou ainda, o homem vestir um casaco ou um colete que não
possui qualquer utilidade, apenas porque o seu corte o não permite e
apenas se destina a exibir elementos de mera fantasia.
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Outro aspecto que caracteriza muitos grupos folclóricos é o seu carácter
híbrido, assim entendido na medida em que procuram representar áreas
geo-etnográficas de vasta dimensão, misturando na representação
elementos que minimamente não corresponde. Pese embora as
feiras e as
romarias terem também servido para aproximar populações de localidades
mais ou menos distantes, fazendo-as interagirem do ponto de vista
cultural, essa realidade circunscrita a uma época na qual os meios de
transporte eram ainda limitados jamais permitiam que tal contacto se
exercesse em áreas de dimensão mais vasta, levando um
sargaceiro da
Apúlia a dançar o picadinho dos Arcos ou um ganhão de Estremoz a
dançar uma saia de Portalegre. Nalguns casos, sobretudo entre as
comunidades portuguesas na emigração, este cenário vai ao ponto de
colocar um ribatejano a dançar o
vira e um minhoto o
bailinho
da Madeira…
Convém saber que muito do que actualmente se apresenta como folclore
genuíno não é mais do que estilizações que foram introduzidas ao longo
do tempo com o propósito de servir outros objectivos que não a sua
preservação. E, sobretudo, não se deve apresentar como sendo dos finais
do século XIX algo que na realidade é de invenção bem mais recente! |