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Para além dos concelhos de Serpa, Moura e Barrancos, Olivença constitui
uma das terras portuguesas que se situam na margem esquerda do rio
Guadiana, embora numa situação de ocupação ilegal por parte de Espanha,
já lá vão duzentos anos. Situado em pleno
Alto Alentejo, Olivença dista
escassos vinte quilómetros da cidade de Elvas, agora restabelecidos com
a construção recente de uma nova ponte sobre o rio Guadiana que veio
suprir a falta de comunicação causada pela destruição da ponte da Ajuda
pelos exércitos espanhóis há trezentos anos, então envolvidos numa
sangrenta guerra civil. Além da cidade de Olivença propriamente dita, o
seu concelho inclui ainda sete povoações, a saber: S. Francisco, S.
Rafael, Vila Real, S. Domingos de Gusmão, S. Bento da Contenda, S. Jorge
de Alor e Talega, este último recentemente elevado à categoria de
município.
Apesar do esforço das entidades oficiais do país vizinho que procuram
inserir o território de Olivença dentro da Extremadura espanhola, os
usos e costumes das suas gentes não deixam de revelar as suas
características genuinamente alentejanas, da mesma forma que a sua
história e os seus monumentos afirmam bem da sua portugalidade. A
comprovar a sua verdadeira identidade, o próprio
Museu Etnográfico de
Olivença, por sinal considerado um dos melhores museus portugueses do
género, documenta de forma notável os modos de vida das suas gentes, o
seu folclore, as habitações tradicionais, os utensílios de trabalho.
Aliás, apesar da colonização forçada das suas gentes ao longo de dois
séculos de ocupação, que incluiu a proibição do uso da Língua Portuguesa
e o apagamento das suas raízes culturais, a Língua de Camões continua a
ser preservada em muitos lares oliventinos e os grupos folclóricos ali
existentes vão preservando como podem e lhes é permitido as tradições
das suas gentes, nomeadamente os seus trajes característicos, as suas
danças e cantares. E se mais e melhor não fazem, para além da repressão
mais ou menos dissimulada a que se encontram sujeitos, tal facto também
se deve à falta de permutas com outros grupos folclóricos portugueses e
ao notório desinteresse a que têm sido votados sobretudo por parte das
entidades que se reclamam representativas do folclore do povo português.
Olivença é território português desde que há mais de setecentos anos foi
por D. Dinis, rei de Portugal e D. Fernando IV de Castela celebrado o
Tratado de Alcanizes, o qual estabeleceu as fronteiras terrestres do
nosso país, por sinal as mais antigas da Europa. Por conseguinte, o
Estado português não reconhece a soberania espanhola sobre o território
de Olivença, não tendo por esse motivo até ao presente ficado definida a
fronteira entre os dois países naquela região, faltando inclusive
colocar 100 marcos na delimitação fronteiriça entre os dois estados
ibéricos.
Mais, reclama a devolução daquele território, devendo o concelho de
Olivença passar a integrar, não apenas "de jure" mas também de facto, o
território de Portugal. Toda a cartografia executada com rigor no
respeito pela posição oficial do Estado português não apresenta qualquer
demarcação fronteiriça naquela zona do rio Guadiana pela simples razão
de que ela não existe. Contudo, permanecendo os direitos e mantendo-se a
reclamação portuguesa, diversas entidades optaram por incluir
geograficamente Olivença no território português, como aliás sucede com
o "FOLCLORE DE PORTUGAL -
O Portal do Folclore português".
Olivença é, pois, um pedaço do Alentejo para além do rio Guadiana! |