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"Temos obrigação de salvar tudo aquilo que ainda é susceptível de ser salvo, para que os nossos netos, embora vivendo num Portugal diferente do nosso, se conservem tão Portugueses como nós e capazes de manter as suas raízes culturais mergulhadas na herança social que o passado nos legou."  (Jorge Dias)
 
 
 
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Olivença - Terra Alentejana
 

 

Carlos Gomes(*)

Quem de Juromenha ou do Alandroal se acerca do rio Guadiana vislumbra na outra margem um pequeno ancoradouro e, mais distante, a pequena aldeia de Vila Real, outrora denominada por Aldeia da Ribeira.

Esta localidade pertence actualmente ao concelho de Olivença no qual foi indevidamente integrado na sequência da “guerra das laranjas”. Vila Real, aliás Aldeia da Ribeira, pertenceu outrora ao concelho de Juromenha e, por conseguinte, a sua ocupação por parte de Espanha é ilegítima inclusive ao abrigo do próprio Tratado de Badajoz que, apesar da sua validade ser contestada pelo Estado português, aquele país utiliza para justificar a sua administração sobre o território de Olivença e suas dependências.

Em termos populacionais, Vila Real constitui uma pequena localidade com menos de uma centena de habitantes, distando uma dúzia de quilómetros em relação a Olivença, sua actual sede de concelho. Entretanto, Juromenha, amputada de uma parte considerável do seu território situado na margem esquerda do rio Guadiana, acabou integrada no concelho do Alandroal como mais uma das suas freguesias.

À semelhança de outras aldeias do concelho de Olivença, como sucede com S. Jorge de Alor e S. Bento da Contenda, também Vila Real mantém a arquitectura popular característica das terras alentejanas, com as suas casas de piso térreo suportando as enormes chaminés, alinhadas ao longo das ruas e batidas pelo sol intenso que leva os seus moradores a refugiarem-se nas horas de maior calor.

Não se espera, naturalmente, que um povo submetido a uma ocupação que perdura durante mais de dois séculos manifeste aberta e espontaneamente a sua adesão às origens portuguesas, tanto mais que muitos dos seus vizinhos são oriundos de outras regiões de Espanha. E, se presentemente se assiste a uma relativa abertura cultural por parte das autoridades espanholas, também é verdade que nem sempre foi assim, tendo inclusive o uso da Língua portuguesa sido proibido até nas cerimónias religiosas.

Por outro lado, apesar da posição de princípio mantida pelo Estado português, os oliventinos de origem portuguesa não vislumbram quando o actual estatuto daquela região possa vir a alterar-se e, na incerteza, preferem não arriscar uma posição que sabem-no de antemão, lhes traria verdadeiros dissabores. Mas, a realidade é que Olivença não deixa de ser terra alentejana e os seus filhos que, tendo embora nascido e vivido sempre sob o domínio espanhol, conhecem as suas origens, continuam a guardar Portugal no seu coração!

(*) Jornalista, Licenciado em História


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