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Quem de Juromenha ou
do Alandroal se acerca do rio Guadiana vislumbra na outra margem um
pequeno ancoradouro e, mais distante, a pequena aldeia de Vila Real,
outrora denominada por Aldeia da Ribeira.
Esta localidade
pertence actualmente ao concelho de
Olivença no qual foi indevidamente
integrado na sequência da “guerra das laranjas”. Vila Real, aliás
Aldeia da Ribeira, pertenceu outrora ao concelho de Juromenha e,
por conseguinte, a sua ocupação por parte de Espanha é ilegítima
inclusive ao abrigo do próprio Tratado de Badajoz que, apesar da sua
validade ser contestada pelo Estado português, aquele país utiliza para
justificar a sua administração sobre o território de Olivença e suas
dependências.
Em termos
populacionais, Vila Real constitui uma pequena localidade com menos de
uma centena de habitantes, distando uma dúzia de quilómetros em relação
a Olivença, sua actual sede de concelho. Entretanto, Juromenha, amputada
de uma parte considerável do seu território situado na margem esquerda
do rio Guadiana, acabou integrada no concelho do Alandroal como mais uma
das suas freguesias.
À semelhança de
outras aldeias do concelho de Olivença, como sucede com S. Jorge de Alor
e S. Bento da Contenda, também Vila Real mantém a arquitectura popular
característica das terras alentejanas, com as suas casas de piso térreo
suportando as enormes chaminés, alinhadas ao longo das ruas e batidas
pelo sol intenso que leva os seus moradores a refugiarem-se nas horas de
maior calor.
Não se espera,
naturalmente, que um povo submetido a uma ocupação que perdura durante
mais de dois séculos manifeste aberta e espontaneamente a sua adesão às
origens portuguesas, tanto mais que muitos dos seus vizinhos são
oriundos de outras regiões de Espanha. E, se presentemente se assiste a
uma relativa abertura cultural por parte das autoridades espanholas,
também é verdade que nem sempre foi assim, tendo inclusive o uso da
Língua portuguesa sido proibido até nas cerimónias religiosas.
Por outro lado,
apesar da posição de princípio mantida pelo Estado português, os
oliventinos de origem portuguesa não vislumbram quando o actual estatuto
daquela região possa vir a alterar-se e, na incerteza, preferem não
arriscar uma posição que sabem-no de antemão, lhes traria verdadeiros
dissabores. Mas, a realidade é que Olivença não deixa de ser terra
alentejana e os seus filhos que, tendo embora nascido e vivido sempre
sob o domínio espanhol, conhecem as suas origens, continuam a guardar
Portugal no seu coração! |