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A designação de um
local ou sítio está invariavelmente ligado à sua descrição física ou
associado a algum sucesso que ali tenha ocorrido ou a alguém que por
algum motivo lhe tenha conferido notoriedade. Em face disso, podemos
sempre daí retirar alguma informação que nos ajude a compreender as suas
origens ou a sua natureza geográfica. Não admira, pois, que a toponímia
constitua um dos auxiliares da História e da Geografia relacionando-se
com a própria Etnografia.
O termo toponímia
provém da junção das palavras gregas tópos e ónoma e que
significa literalmente nome de um lugar. Pelas características do local
que identificam, os topónimos podem agrupar-se segundo diferentes
classificações, como sucede nomeadamente com os fitotopónimos e os
hidrotopónimos, consoante se refiram a plantas ou a cursos de água.
De igual modo, a
preservação da toponímia ajuda-nos na localização de vestígios
históricos ou elementos geológicos que de outra maneira seria bem mais
difícil. É o que sucede com os que fazem alusão à existência de um
castro ou castelo geralmente escondido sob uma mamoa, a uma
nascente de água divinizada ou a um local de passagem geralmente
designado por porto ou portela e ainda a santuários de
antigas divindades pagãs como Laraucus na serra do Larouco e
Sintra em evocação da deusa da Lua.
De igual modo, também
a onomástica se encontra intimamente associada à toponímia, tendo muitos
topónimos estado na origem da formação de inúmeros apelidos que, com o
uso, entre nós se tornaram patronímicos e matronímicos ou seja, o nome
herdado por ascendência paterna ou materna. E, ainda que actualmente
prevaleça a transmissão do apelido paterno, convém não desvalorizar as
profundas raízes matriarcais da cultura galaico-minhota cujos vestígios
são ainda bastante evidentes incluindo no carácter das gentes minhotas.
Tomemos, a propósito, o apelido Dantas como evolução natural “de
Antas” para onde derivou “d’Antas”, fazendo clara referência
ao local a que o seu portador se encontrava ligado.
E, do exemplo antes
demonstrado, podemos concluir que, de acordo com a fisionomia do local,
também a toponímia se altera, distinguindo-se nomeadamente entre a serra
e o vale, o interior e o litoral. Por outro lado, são evidentes as
marcas resultantes dos diferentes povoamentos ou seja, dos povos e
culturas que aí se fixaram, razão pela qual abundam no Minho topónimos
de origem germânica – Bouro, de búrios – enquanto mais a sul é
nítida a influência árabe, onde o topónimo Alcácer se substitui a
Castro.
Em Ourém, à
semelhança de outras localidades que outrora integravam os coutos de
Alcobaça, predominam além dos fitotopónimos – Ramalheira, Sobreira,
Freixianda – aqueles que remetem para a presença dos religiosos do
mosteiro cisterciense – Casal dos Bernardos, Abades, Abadia – e também
na onomástica das gentes locais os nomes Bernardo, Bernardino e
Bernardina.
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