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"Temos obrigação de salvar tudo aquilo que ainda é susceptível de ser salvo, para que os nossos netos, embora vivendo num Portugal diferente do nosso, se conservem tão Portugueses como nós e capazes de manter as suas raízes culturais mergulhadas na herança social que o passado nos legou."  (Jorge Dias)
 
 
 
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»» Trajes - O Trajo Regional em Portugal Pub
Pub TRAJOS DE TRABALHO (PAR)
Beira Baixa (Boidobra). Início do s
éculo XX.
 
 

 

Trajo masculino
Camisola (interior), calças e ceroulas
Acessórios: chapéu, lenço tabaqueiro, faixa e socas
Utensílios: dedeiras, foice e cabaça

Camisola interior de malha, com abertura no peito e manga comprida. Calças de algodão (cotim) formando riscas estreitas em tons de azul, ajustadas na cintura com faixa preta; por baixo veste ceroulas de tecido de algodão, ajustadas junto aos tornozelos com nastros. Na cabeça, chapéu de palha de aba larga e ao pescoço lenço tabaqueiro.

Calça socas sem meias. Na mão esquerda calça dedeiras feitas de cana, que protegem os dedos enquanto ceifa. Traz a foice sobre o ombro e suspende à cintura uma pequena cabaça.

Nos trabalhos efectuados no Verão, como sucede com a ceifa, o vestuário reflecte a necessidade de se empregarem tecidos leves e simples, como são os algodões. Merece aqui reparo o facto de aparecer a camisola interior em vez da camisa de riscado habitual, mostrando a apropriação de uma peça de trajo interior como vestuário exterior. É a evolução dos costumes... Por outro lado, o uso do lenço tabaqueiro ao pescoço lembra a necessidade de limpar o suor do rosto, durante o árduo trabalho das ceifas. Essa atmosfera cálida, está de certo modo reforçada pela necessidade de trazer à cinta a cabaça, de onde amiúde minimiza a sede.

Trajo feminino
Blusa e saia
Acessórios: chapéu, lenço, avental, tamancos
Utensílios: infusa e molho de cereal

Blusa de algodão riscado, com cós pequeno; frentes decoradas com encaixe guarnecido com folho, ajustadas com botões; manga comprida com punho e folho. Saia de tecido de algodão azul (ganga), franzida na cintura e debruada na orla, resguardada na frente com avental de chita de tons claros, com duas algibeiras de chapa e folho na orla. Na cabeça, lenço de algodão estampado, com as pontas levantadas sobre o chapéu preto de homem. Calça tamancos sem meias. Na mão esquerda segura uma infusa e sob o braço direito um feixe de centeio.

O trajo usado diariamente, ou de cote, como também é designado, era simples, de tecidos leves na estação quente, sendo preferidos a partir da introdução dos algodões industriais, as chitas, os riscados e as gangas. Na cabeça usava-se sempre lenço simples, e quantas vezes aproveitavam um velho chapéu de homem que colocavam sobre o lenço. Tal como eles, não usavam meias, guardando-as e poupando-as para os dias de romaria ou de festa.

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Informações retiradas de "O Trajo Regional em Portugal" - Tomás Ribas
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