
Do queixo da máscara pende
uma barbicha de bode como no chocalheiro de Bemposta.
Sobre o trajo grosseiro, o Carocho ostenta uma bofanda de
lã. Calça galochas ou polainas
com botas de bezerro ou socos.
A Velha ou “Tiê Biêlha”
veste saia, blusa de chita estampada, lenço chinês na
cabeça, xaile a tiracolo, um rosário de castanhas
assadas ao pescoço e um saco ou surrão no ombro
esquerdo. Na mão direita traz uma estaca com que recolhe
a esmola de chouriça e outras peças que lhe vão dando
pelas casas.
Logo de manhãzinha cedo,
depois de desenjuar, acompanhados por um grupo de
tocadores de flauta pastoril ou gaita de foles, caixa e
bombo e por um grupo de pauliteiros da povoação, o
carocho e a Velha percorrem as ruas da povoação
recolhendo a esmola para a festa de S. João. Recolhem
chouriças, salpicões, dinheiro e cereal.
Com esta esmola pagam a
festa. As peças de fumeiro, pés, orelhas e costelas de
porco, são para fazer a ceia comunitária que se realiza
nos dias antes do Ano Novo, a 29 ou 30 de Dezembro. Na
Ceia comunitária participam todas as pessoas da povoação
e outras pessoas convidadas pelos mordomos da festa.
Os pauliteiros dançam um
laço à porta de cada vizinho e o Carocho e a Velha
acompanham, dançando, o ritmo dos instrumentos musicais
dando saltos, fazendo trejeitos e dizendo graçolas.
À porta dos vizinhos a quem
faleceu algum familiar nesse ano, a dança pára e reza-se
pelas almas das obrigações daquela família.
Esta festa do carocho e da
Velha de Constantim conserva-se ainda com muita
originalidade do seu ritual. Tem origem em rituais
dionisíacos e nela aparecem sinais de comunitarismo
antigo.