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Não
há qualquer registo documental, ou até agora não foi descoberto até
agora nas profundas pesquisas efectuadas, que refira os «Cavacórios»
quer em termos da sua origem quer do seu uso ou tradição nas terras de
Vila Real.
Também as lendas e ditos
populares, quantas vezes os únicos vestígios históricos onde esta
ciência vai beber para depois os testar e dar credibilidade, não fazem
especiais referências a este doce.
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Ele entrou no uso e
tradição de uma forma até agora desconhecida, e sabe-se apenas que a sua
aparição e consumo são mais frequentes no período ante-Pascal, e mais
precisamente nos Lázaros. É no entanto um dos exemplares mais típicos e
conhecidos da doçaria tradicional da urbe transmontana.
Como se sabe, diz o Povo
que a seguir ao Domingo de S. Lázaro, vem o de Ramos, e depois na Páscoa
estamos. O cavacório é assim um dos primeiros sinais da aproximação da
Semana Santa.
Não é um doce vulgar
noutras regiões, embora apareça eventualmente em confecção e componentes
semelhantes, mas de feitio bem diverso. A sua forma côncava, a indiciar
os contornos e a aparência de uma taça, pode dar-nos algumas pistas que
o uso tradicional, que ainda lhe é referido e associado, permite
ajuizar. Não propriamente da sua origem real mas, pelos menos, na
perspectiva que o situa na necessidade do seu aparecimento e na evolução
da sua forma para aquele objectivo.
Fontes raras
associam-no, por antítese de paladar, ao matar da sede, a Cristo
crucificado, com o pano molhado em fel que um soldado romano lhe chegou
na ponta da sua lança. Outras fontes protendem configurá-lo à forma da
mão de Lázaro, patrono de pobres e doentes, estendida em concha à
caridade humana.
Não se encontrou porém
qualquer elemento factual ou documental que assegure esta relação menos
credível com o doce tradicional, podendo no entanto dar-se o dúbio
benefício por tal ser aceitável no quadro do que se lhe seguiu, e também
porque a crendice transforma, com o tempo, o mito em verdade absoluta.
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Retirado de folheto promocional da Região de Turismo da
Serra do Marão. Pesquisa histórica de Juvenal Cardápio |