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  Cavacórios de São Lázaro (1)

Não há qualquer registo documental, ou até agora não foi descoberto até agora nas profundas pesquisas efectuadas, que refira os «Cavacórios» quer em termos da sua origem quer do seu uso ou tradição nas terras de Vila Real.

Também as lendas e ditos populares, quantas vezes os únicos vestígios históricos onde esta ciência vai beber para depois os testar e dar credibilidade, não fazem especiais referências a este doce.

Ele entrou no uso e tradição de uma forma até agora desconhecida, e sabe-se apenas que a sua aparição e consumo são mais frequentes no período ante-Pascal, e mais precisamente nos Lázaros. É no entanto um dos exemplares mais típicos e conhecidos da doçaria tradicional da urbe transmontana.

Como se sabe, diz o Povo que a seguir ao Domingo de S. Lázaro, vem o de Ramos, e depois na Páscoa estamos. O cavacório é assim um dos primeiros sinais da aproximação da Semana Santa.

Não é um doce vulgar noutras regiões, embora apareça eventualmente em confecção e componentes semelhantes, mas de feitio bem diverso. A sua forma côncava, a indiciar os contornos e a aparência de uma taça, pode dar-nos algumas pistas que o uso tradicional, que ainda lhe é referido e associado, permite ajuizar. Não propriamente da sua origem real mas, pelos menos, na perspectiva que o situa na necessidade do seu aparecimento e na evolução da sua forma para aquele objectivo.

Fontes raras associam-no, por antítese de paladar, ao matar da sede, a Cristo crucificado, com o pano molhado em fel que um soldado romano lhe chegou na ponta da sua lança. Outras fontes protendem configurá-lo à forma da mão de Lázaro, patrono de pobres e doentes, estendida em concha à caridade humana.

Não se encontrou porém qualquer elemento factual ou documental que assegure esta relação menos credível com o doce tradicional, podendo no entanto dar-se o dúbio benefício por tal ser aceitável no quadro do que se lhe seguiu, e também porque a crendice transforma, com o tempo, o mito em verdade absoluta.

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Retirado de folheto promocional da Região de Turismo da Serra do Marão. Pesquisa histórica de Juvenal Cardápio


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