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"Temos obrigação de salvar tudo aquilo que ainda é susceptível de ser salvo, para que os nossos netos, embora vivendo num Portugal diferente do nosso, se conservem tão Portugueses como nós e capazes de manter as suas raízes culturais mergulhadas na herança social que o passado nos legou."  (Jorge Dias)
 
 
 
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  Cova da Beira. O dia de Todos os Santos

O dia de Todos os Santos, na região da Cova da Beira, mais propriamente no Ferro, era marcado por várias tradições que a seguir se enumeram:

Pela manhã, até cerca do meio-dia, crianças e alguns adultos percorriam as ruas, batendo às portas das casas mais abastadas, a pedir uma esmola em géneros ou em dinheiro.

Esta esmola destinava-se a sufragar as almas das «obrigações» dos donos da casa, pelo que, os pobres a pediam referindo-se a essa intenção: «Dêem-me uma esmolinha por alma das suas obrigações» ou «por alma de quem lá têm».

Enquanto esperavam o óbolo, ou no fim de o receberem, rezavam um Pai-Nosso e uma Avé-Maria, pelas mesmas intenções, em sinal de reconhecimento(1). Neste dia, os que não se julgavam na obrigação de dar, geralmente julgavam-se no direito de pedir.

É habito também os padrinhos oferecerem aos afilhados o «afolar»(2) ou «santoro» que consiste numa espécie de carcaça espalmada e comprida de farinha triga, com ovos ou sem eles, envolvida em azeite á saída do forno.

A tarde desse dia de Todos os Santos é essencialmente dedicada aos magustos, embora algumas pessoas de meia idade, a empreguem a enfeitar as sepulturas dos seus defuntos, realizando-se ainda, ao anoitecer, o «Compasso das Almas» que hoje em dia já não se faz.

Consistem os magustos em assar castanhas em fogueiras de caruma, no campo, ao ar livre.

Fazem parte do magusto algumas partidas tradicionais, consistindo uma delas em mandar «molhar o vassouro» a um dos circunstantes mais ingénuos que desconheça ainda as «leis» dos magustos. Esta ordem é dada quando as castanhas estão quase assadas e sob pretexto de, com  ele, se apagar a fogueira.

Tal brincadeira tem por fim entreter a vítima deste engano, de modo que os outros comam as castanhas todas e bebam a jeropiga enquanto ela vai à procura de água, a não ser que alguém a previna a tempo.

Outra partida, indispensável no magusto, é a de se enfarruscarem todos uns aos outros, procurando que não escape ninguém. Para isso, enquanto se vão descascando as castanhas, enegrecem-se as mãos, quando se puder, esfregando-as mesmo no borralho.

Há, por vezes, correrias loucas para apanhar algum mais «esquisito» que não queira sujeitar-se a este costume.

É assim que se divertem enquanto comem as gostosas e quentes castanhas, ainda a estalar, e vão bebendo a deliciosa jeropiga beiroa, obrigatória em todos os magustos da região.

Notas:
(1) - Nos outros dias agradeciam dizendo: Nosso Senhor lhes acrescente os bens e a saúde. E rezavam também pelas almas das «obrigações» dos donos da casa um Pai-Nosso e uma Avé-Maria.
(2) - Folar
Excerto de "Ferro - Cova da Beira", estudos arqueológicos e etnográficos, de Maria da Ascensão Gonçalves Carvalho Rodrigues

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